Diversidade

Dia da Visibilidade Trans busca avanços na saúde como estratégia para ampliar conquistas

Dia da Visibilidade Trans busca avanços na saúde como estratégia para ampliar conquistas

29 de janeiro de 2025

Em Brasília serão realizados três grandes atos nesta quarta-feira (29), reafirmando a luta e a visibilidade da população trans no Brasil

O Dia da Visibilidade Trans, celebrado em 29 de janeiro, é um marco para a luta por direitos e reconhecimento da população trans no Brasil. Uma das principais frentes dessa batalha é o acesso à saúde, um setor essencial para garantir dignidade e cidadania. Entre os avanços conquistados estão a garantia do uso do nome social, a Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, e o direito ao Processo Transexualizador no SUS (Sistema Único de Saúde).

“Essa é uma data importante para o movimento sindical bancário, que tem em sua pauta de atuação a luta pelos direitos da comunidade LGBTQIA+”, afirma Elaine Cutis, secretária de Políticas Sociais da Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro). “A visibilidade trans é fundamental para combater o preconceito, o estigma e a desinformação que ainda cercam as pessoas trans no Brasil e no mundo. Ao dar visibilidade às suas histórias, conquistas e dificuldades, esta data ajuda a promover uma sociedade mais justa e igualitária, onde todas as pessoas, independentemente de sua identidade de gênero, possam viver com dignidade e respeito.”

A violência contra pessoas trans no Brasil

Em 2024, o Brasil registrou 122 assassinatos de pessoas trans e travestis, de acordo com o Dossiê Assassinatos e Violências contra Travestis e Transexuais Brasileiras, da Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais). Embora o número tenha apresentado uma redução de 16% em relação ao ano anterior, o país continua sendo, pelo 17º ano consecutivo, o líder mundial em assassinatos de pessoas trans. Desses 122 casos, 117 eram mulheres trans e travestis, e cinco eram homens trans. A violência contra pessoas trans no Brasil segue sendo uma epidemia silenciosa, com grande parte dos assassinatos ocorrendo na região Nordeste, que concentrou 41% dos casos.

Lançamento de publicações e avanços na classificação de doenças

Durante a cerimônia em alusão ao Dia da Visibilidade Trans, realizada na segunda-feira (27), o Ministério da Saúde anunciou o lançamento de um número especial da Revista Epidemiologia e Serviços de Saúde - A Revista do SUS, dedicada aos 20 anos da Visibilidade Trans no Brasil. O evento aconteceu no Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

Para Flávia Teixeira, diretora de Programa do gabinete ministerial, a publicação é um marco para a produção científica. “Não podemos fazer política pública sem evidências, e essa publicação representa isso”, destacou.

Outro importante avanço anunciado foi a tradução da CID (Classificação Internacional de Doenças) 11, da OMS (Organização Mundial da Saúde). Antes, na CID-10, a transexualidade era classificada como um transtorno psíquico. Agora, a CID-11 introduz a expressão “incongruência de gênero”, removendo sua categorização como transtorno mental e reposicionando-a no Capítulo 17, sobre Condições Relacionadas à Saúde Sexual.

Flávia Teixeira destacou que esse avanço é “uma expressão da luta e do compromisso do Ministério da Saúde”. Segundo ela, a área da saúde tem sido um local de proteção e defesa dos direitos humanos da população LGBTQIA+.

Atos e mobilizações em Brasília

Brasília será palco de três grandes atos nesta quarta-feira (29), reafirmando a luta e a visibilidade da população trans no Brasil:
? Hasteamento da maior bandeira trans do país
? Ato em frente à Embaixada dos Estados Unidos
? Lançamento do Registro Nacional de Mortes de Pessoas Trans no Brasil em 2024

Os eventos foram organizados pela Rede Trans Brasil, o Grupo Estruturação - LGBT+ de Brasília, o CentroDH (Centro Brasiliense de Defesa dos Direitos Humanos) e o Instituto Igualdade e Fraternidade (INPDH). Segundo os movimentos, as manifestações simbolizam a luta e o orgulho da comunidade trans no Brasil.
Michel Platini, presidente do Grupo Estruturação, reforçou a importância da mobilização: 

“Este é o dia de reafirmarmos que não aceitaremos nenhum retrocesso. É também o dia de mandarmos solidariedade à população LGBT americana e dizer ‘não’ à política neofascista do governo Trump, que tenta retirar direitos de grupos vulnerabilizados, incluindo pessoas trans, negras e com deficiência”.

20 anos de luta pela visibilidade trans

O Dia da Visibilidade Trans é celebrado no Brasil desde 2004 e simboliza a resistência de uma população historicamente marginalizada, mas que segue lutando por seus direitos e por uma sociedade mais justa e igualitária. As mobilizações e avanços no setor da saúde mostram que a luta continua garantindo direitos fundamentais para a população trans no Brasil.

Fonte: Contraf-CUT