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Temer pretende extinguir papel social da Caixa com abertura do capital

Temer pretende extinguir papel social da Caixa com abertura do capital

28 de setembro de 2017

Notícias divulgadas pela imprensa na quarta-feira (27/09) informam que o governo de Michel Temer (PMDB) está tramando abrir o capital do banco que é 100% público.

A Fenae (Federação Nacional das Associações de Pessoal da Caixa Econômica Federal) repercutiu notícia divulgada pela imprensa na quarta-feira (27/09) informando que o governo de Michel Temer (PMDB) está tramando abrir o capital do banco que é 100% público.

Entre as medidas adotadas para atrair o interesse de investidores privados, o governo busca limitar ao máximo as despesas com pessoal, reduzir ainda mais a concessão de crédito, inclusive para a realização do sonho da casa própria, e rever a atuação como executor de políticas públicas.

A informação foi divulgada pela imprensa justamente um dia após a Caixa divulgar o balanço do segundo trimestre, que mostram que a Caixa obteve lucro líquido de R$ 4,1 bilhões de janeiro a junho, o melhor resultado semestral da série histórica do banco. A carteira de crédito alcançou saldo de R$ 715,9 bilhões em junho, com participação de 22,8% no mercado. A carteira imobiliária totalizou R$ 421,4 bilhões, com ganho de 1,3 p.p. de participação no mercado, mantendo a liderança com 68,1%.

O presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira, reforça que está em curso um processo para diminuir e desmontar a Caixa. “Está no DNA dela a execução de políticas em favor dos brasileiros, sobretudo dos mais necessitados. Isso só é possível porque o banco é 100% público. Instituições privadas não terão qualquer preocupação com o papel social do banco. Não podemos permitir qualquer retrocesso em relação a isso”, afirma no texto divulgado pela Fenae.

Rita Serrano, representante dos empregados no Conselho de Administração da Caixa e coordenadora do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas, observa que a atuação do banco tem sido reduzida dia após dia. “A medida mais recente foi reduzir o teto do crédito para compra de imóveis usados para 50%. Somam-se a isso a venda da Lotex, que o governo quer concluir ainda este ano, e planos para privatizar as áreas de cartões e seguros”, disse.

Ainda de acordo com a conselheira, que também compõe a diretoria da Fenae, o governo está passando por cima de decisão do Congresso Nacional. “O parlamento aprovou a lei 13.303, oriunda do PLS 555, com a retirada da possiblidade de abertura de capital da Caixa, depois de grande movimento em que derrotamos essa iniciativa. Hoje, para que isso ocorra, é necessário que se aprove nova lei por deputados e senadores”, explicou.

Os trabalhadores já estão sentindo na pele a diretriz de reduzir despesas com pessoal, como aponta Dionísio Reis, coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa). “A direção do banco se gaba de reduzir despesas com planos de demissão. É um absurdo. Esse plano para fatiar a Caixa está sendo feito às custas de colegas sobrecarregados e adoecendo mais. E o que está ruim pode piorar, pois um dos alvos é o nosso plano de saúde, o Saúde Caixa”, adverte.

Diante do cenário de mais retrocessos que se aproxima, o presidente da Fenae é taxativo: é hora de empregados e sociedade se unirem na defesa do banco 100% público. “Vamos lançar no dia 3 de outubro, a campanha ‘Defenda a Caixa Você Também’. Será parte do ato em defesa da soberania nacional, no Rio, que vai envolver diversas entidades e categorias. A ideia é mostrar como o banco é essencial em áreas como habitação, saneamento, infraestrutura, esporte, cultura, enfim, para a vida dos trabalhadores e brasileiros em geral”, adiantou.

Fonte: Contraf-CUT, com Fenae