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Como a política de preços dos combustíveis de Temer atinge os brasileiros

Como a política de preços dos combustíveis de Temer atinge os brasileiros

25 de maio de 2018

Dirigente da Federação Única dos Petroleiros explica os motivos que levaram ao aumento dos preços dos combustíveis depois que Temer chegou ao poder para defender interesses externos

A política do governo Michel Temer (MDB) de reajustar os preços da gasolina e do diesel diariamente e de elevar os impostos sobre os combustíveis acendeu a luz vermelha no governo e chamou a atenção de toda população, que está sentindo no orçamento familiar os impactos da nova política de preços da Petrobras, gerida pelo presidente da empresa, Pedro Parente, ex-ministro do apagão do governo tucano de FHC.

A greve dos caminhoneiros, que chega ao 5º dia com protestos em 25 estados e no Distrito Federal, foi o estopim para chamar a atenção até mesmo de quem não tem carro e também sente os efeitos dos aumentos em tudo o que consome.

O transporte público mais caro e o preço do gás de cozinha, que teve aumentos sucessivos no último período e chegou a custar R$ 75,19 em novembro de 2017, são exemplos de como a atual política de Temer compromete o orçamento de toda a população brasileira. Em janeiro de 2015, o preço do gás de cozinha era R$ 44,67.

Outras consequências dessa política, que tem impacto direto na inflação e no custo de vida dos brasileiros e brasileiras, são as altas nos preços dos fretes rodoviários – e a greve dos caminhoneiros deixou isso claro -, dos alimentos, das roupas e calçados, pois todos fazem parte da cadeia produtiva que depende dos derivados de petróleo, seja por causa do aumento nos preços dos transportes ou o uso dos combustíveis na produção dos produtos.

Segundo dados da FUP (Federação Única dos Petroleiros), nos primeiros 90 dias após julho de 2017, quando a Petrobras mudou a política de preços e o governo aumentou em 30% as alíquotas de PIS/Cofins, foram 58 reajustes nos valores dos combustíveis. O valor médio final ao consumidor subiu 10,98%, um aumento 30 vezes superior à inflação do período.

Assista ao vídeo para entender melhor o que está ocorrendo no Brasil:
 

Esse é o resultado desastroso da gestão do golpista Temer desde que colocou Pedro Parente, o seu representante direto, no comando da Petrobras, diz o coordenador-geral da FUP, José Maria Rangel.

Em 2017, mesmo o Brasil tendo sido o maior produtor de petróleo da América Latina, superando até mesmo o México e a Venezuela, o preço da gasolina ao consumidor final bateu recordes de aumento.

A contradição entre o fato de o Brasil ser um grande produtor e praticar preços altíssimos é fruto justamente da decisão política do governo e da atual gestão da Petrobras que privilegia o mercado externo e não o nacional.

Segundo Rangel, o governo voltou a reajustar os preços de acordo com as oscilações do petróleo no mercado internacional, como era feito no governo do tucano FHC – 1995 a 2002. Ou seja, aumenta o preço do barril de petróleo lá fora, aumenta aqui também, assim como ocorreu quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o rompimento do acordo nuclear com o Irã.

Ao contrário da política estabelecida nos governos anteriores, que garantia a estabilidade nos valores, o novo modelo permite reajustes diários nos preços da gasolina e do diesel que são produzidos nas refinarias.

“Nos governos Lula e Dilma, as nossas refinarias estavam a plena carga, com 100% de sua capacidade e condições de suprir o mercado interno e praticar preços acessíveis à população”, explica.

“Agora, por uma decisão do governo, reduzimos drasticamente a carga processada em nossas refinarias e aumentamos a importação.”

Em 2017, foram importados mais de 200 milhões de barris de derivados de petróleo, número recorde da série histórica da ANP (Agência Nacional do Petróleo). Dados do Ministério de Minas e Energia mostram que cinco refinarias da Petrobras (Rlam, Reman, Reduc, Refap e Rpcc) já operam com capacidade inferior a 70%.

“Temer diminuiu o papel do Estado e passou a incentivar o investimento privado. Essa atual gestão, para privatizar a Petrobras, está dando como garantia o fato de que não haverá mais o controle de preços e que as regras passarão a ser o livre mercado, ou seja, o preço será de acordo com o mercado internacional.”

Para o coordenador da FUP, só será possível reverter essa dependência da estatal com uma mudança radical na política da Petrobras.

Por Tatiana Melim/CUT Nacional