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Os sete efeitos da crise financeira global na saúde dos bancários

Os sete efeitos da crise financeira global na saúde dos bancários

22 de outubro de 2013

Pesquisa realizada pela UNI Finanças, denominada "Setor Bancário: Uma Crise Humana", com trabalhadores do setor financeiro, de 26 países, levantou os efeitos da perda de empregos e as condições de tra

A UNI Finanças, braço da UNI- Sindicato Global que representa três milhões de trabalhadores no setor financeiro no mundo todo, divulgou a pesquisa "Setor Bancário: Uma Crise Humana"(Banking: A Human Crisis), com trabalhadores do setor financeiro, de 26 países. A pesquisa teve por objetivos levantar efeitos da perda de empregos e as condições de trabalho dos bancários desde 2011.

O estresse foi um fator-chave , com os trabalhadores relatando metas de vendas impossíveis de serem cumpridas , salários mais baixos, e a obrigação de dar conta do mesmo volume de trabalho com menos funcionários.

A ansiedade, relacionada aos cortes de empregos também foi um fator relevante, em parte devido a uma tendência de substituição de trabalhadores mais velhos por mais jovens e com salários menores, muitas vezes com contratos temporários.

De acordo com a pesquisa, o medo do desemprego, a pressão excessiva e os abusos psicológicos são apenas algumas das causas de uma crise de saúde pessoal que afeta globalmente o setor bancário.

A pesquisa acontece depois de uma séries de tragédias recentes no setor financeiro , incluindo as mortes amplamente divulgadas na Europa, de funcionários de bancos do Reino Unido e Suíça.

Marcio Monzane , chefe da UNI Finanças, disse que "esta é uma crise que afetou a todos nós de muitas maneiras . Enquanto estamos corretamente denunciando os banqueiros por sua responsabilidade na crise financeira mundial, há milhões de trabalhadores dedicados e honestos no setor de finanças , cujas vidas foram arruinadas por uma onda interminável de mudanças que afeta o setor".

"Centenas de milhares de postos de trabalho já foram perdidos. A pressão sobre os empregados para que o trabalho seja feito, mesmo com menos trabalhadores, é imensa , e isso está se refletindo na deterioração da saúde e do estilo de vida dos bancários em todo o mundo ", afirmou Marcio Monzane.

Metade dos Sindicatos pesquisados disse que seus membros se queixaram que suas vidas pessoais estão sob pressão considerável. O IBOA, sindicato irlandês, informou que os trabalhadores estavam se deparando com "metas irreais em todos os níveis, sem levar em conta o contexto financeiro adverso".

Um relatório recente do Statec , o instituto nacional de estatística de Luxemburgo , apontou que o assédio moral é mais elevado no setor bancário, atingindo 12% dos empregados.

A perda de empregos está crescendo em sete países europeus, incluindo a França, Holanda e Grécia , bem como na Ásia , nas Américas e na África, diz o relatório. Se por outro lado, a redução de empregos está desacelerando em nove outros países europeus como a Irlanda, Espanha e Reino Unido, essa redução se dá a partir de um nível muito alto.

O relatório identifica as sete principais tendências que estão ocorrendo no setor, que são responsáveis pela pressão excessiva sobre os trabalhadores:

- reestruturação generalizada continua a ocorrer na esteira da crise financeira

- os trabalhadores do setor financeiro estão sob forte pressão para vender produtos financeiros

- a perda de empregos está atingindo principalmente a linha de frente, a retaguarada (back office) , e trabalhadores de TI

- os empregos tem sido deslocados para outros países e terceirizados, levando-se em conta padrões regionais

- campanhas sindicais compensam a ausência de acordos colectivos fora da Europa

- muitos trabalhadores do setor de finanças apontam a deterioração da saúde

- a reestruturação tem tido um impacto negativo que afeta o risco do negócio e a produtividade.


Um trabalhador de call center de um banco internacional no Brasil disse: "atingir a meta não é suficiente. Supervisores enviam e-mails dando os nomes daqueles que fracassaram. Eu temo que vai ter um ataque cardíaco em breve".

Um funcionário de um banco espanhol disse: "em geral , os clientes começam a brigar com os funcionários do banco em função de suas hipotecas ou dívidas. Não há segurança suficiente para os funcionários. Infelizmente , os clientes que se sentem abusados financeiramente estão se voltando contra os funcionários de linha de frente , ao invés de protestar junto aos proprietários do bancos ".

A UNI Sindicato Global defende uma abordagem mais justa para a reestruturação, limitando a distribuição de dividendos a acionistas e fazendo o máximo para preservar os empregos . Os acordos coletivos entre sindicatos globais e bancos multinacionais (acordos marco), dizem os sindicatos, são uma boa maneira de garantir que os trabalhadores sejam tratados e pagos de forma justa. Elevar os padrões dos países que recebem empregos terceirizados por meio de acordos globais é uma prioridade.

Fonte: Contraf-CUT, UNI-Finanças e UNI-Sindicato Global