Nas ruas e nas redes, juventude defende a democracia e disputa o futuro do Brasil
21 de outubro de 2026
Foto: Armando Duarte Jr.
Dois projetos antagônicos estão em disputa nas eleições de 2026. De um lado, a continuidade de programas sociais e políticas públicas de inclusão. De outro, o risco de avanço do autoritarismo, de pautas conservadoras, do armamento da população e dos ataques à democracia. Nesse cenário, a juventude tem mostrado, mais uma vez, nas ruas, a sua força de mobilização para defender o país em que quer viver.
A história comprova. Essa participação marcou momentos decisivos do país. Durante a ditadura militar, estudantes enfrentaram a repressão e participaram da resistência ao regime. Em 1968, a Passeata dos Cem Mil, no Rio de Janeiro, reuniu estudantes, artistas e outros setores da sociedade em defesa da liberdade e contra a violência da ditadura.
Na década de 1980, o movimento estudantil participou das Diretas Já, pela retomada das eleições diretas para presidente. Em 1992, os caras-pintadas marcaram as manifestações pelo impeachment de Fernando Collor. Em diferentes períodos, a juventude fez das ruas um espaço de organização, cobrança e participação nas decisões do país.
Hoje, essa mobilização combina passeatas, assembleias nos locais de estudo, conversas nos bairros e atuação nas redes sociais. A defesa das liberdades acompanha reivindicações por condições para estudar, trabalhar e conquistar autonomia.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
A nova geração
Após o primeiro turno, em 4 de outubro, manifestações estudantis se espalharam pelo país. Articulada pela UNE (União Nacional dos Estudantes) e pela União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), a campanha Estudantes com Lula alcançou mais de 40 Universidades em pelo menos 13 estados e no Distrito Federal.
Na UFF (Universidade Federal Fluminense), em Niterói, estudantes realizaram assembleias já no dia seguinte à votação. No Rio de Janeiro, milhares participaram da caminhada da Candelária à Cinelândia, em 7 de outubro. No dia 18, a mobilização se somou ao ato com artistas em Copacabana.
Em São Paulo, movimentos juvenis participaram da manifestação de 11 de outubro na Avenida Paulista, com a presença do presidente Lula. Em Brasília, o chamado “Ato da Virada” reuniu jovens e militantes, com destaque para a mobilização contra a abstenção eleitoral.
Em Londrina, estudantes, professores e servidores da UEL (Universidade Estadual de Londrina) realizaram manifestações em defesa do Ensino Público, das políticas de inclusão, soberana nacional e em apoio ao projeto do presidente Lula para o futuro do Brasil.
A participação estudantil também chegou à defesa dos direitos nas redes sociais. Na segunda-feira (19/1º), estudantes e coletivos estiveram no protesto diante da sede da Meta, em São Paulo, contra restrições a conteúdos e perfis progressistas e denúncias de interferência das plataformas no debate eleitoral.
Assembleias, atos e panfletagens também mobilizaram estudantes em cidades como Belém, Fortaleza, Maceió, Goiânia, Belo Horizonte e Porto Alegre. Além da UNE e da Ubes, organizações como a UJS (União da Juventude Socialista), movimentos sociais e partidos políticos participam das atividades.
A mobilização reúne a rejeição ao autoritarismo e demandas que atravessam o cotidiano dos jovens: concluir a escola, chegar à universidade, conseguir emprego com direitos e conquistar independência financeira. Também envolve o direito de se organizar, denunciar discriminações, cobrar investimentos e participar das escolhas sobre o futuro do Brasil.
Para a juventude das classes populares, essas perspectivas dependem de políticas que garantam acesso à educação, renda para continuar estudando, transporte, alimentação e moradia. É por isso que a defesa da democracia se aproxima da preservação e da ampliação de direitos.
O que quer a juventude
Uma das medidas recentes é o Pé-de-Meia, criado no Governo Lula, em 2024, para incentivar a permanência e a conclusão do ensino médio público por estudantes de baixa renda. Com pagamentos vinculados à matrícula, à frequência, à aprovação e à participação no Enem, o programa enfrenta uma dificuldade de muitas famílias: a pressão para que o jovem abandone os estudos para trabalhar e ajudar nas despesas de casa.
No Ensino Superior, o Fies Social, também criado em 2024, reserva pelo menos metade das vagas do financiamento estudantil para inscritos no Cadastro Único com renda familiar por pessoa de até meio salário mínimo. A modalidade amplia as possibilidades de acesso para quem não consegue arcar com uma mensalidade.
Chegar à faculdade, porém, exige condições para permanecer nela. Bolsas, restaurantes universitários e moradias estudantis estão entre as reivindicações de quem precisa conciliar os estudos com um orçamento apertado.
As cotas e a ampliação das oportunidades de formação abriram caminhos para jovens negros, periféricos e de baixa renda. A assistência estudantil precisa acompanhar esse acesso para que eles consigam concluir o curso.
A expansão dos Institutos Federais, com o anúncio de 100 novos campi, o incentivo à educação em tempo integral e a retomada de obras paralisadas também integram as ações voltadas à ampliação de vagas e à melhoria da estrutura de ensino.

Foto: Tomas Silva/Agência Brasil
Para além da educação
Fora das escolas e universidades, outras políticas ajudam a construir autonomia. Retomado em 2023, o Minha Casa, Minha Vida oferece subsídios e condições de financiamento que podem facilitar a compra do primeiro imóvel por jovens que atendam aos critérios do programa, inclusive individualmente.
Na saúde, a distribuição gratuita de absorventes pelo Programa Dignidade Menstrual enfrenta uma privação vivida, em especial por mulheres jovens, que compromete o bem-estar e pode prejudicar a frequência escolar de estudantes em situação de vulnerabilidade.
CNH Social: Já a autorização para custear a habilitação de pessoas de baixa renda com recursos de multas de trânsito pode reduzir uma barreira para quem precisa da carteira de motorista, inclusive para trabalhar. A oferta depende da implementação pelos órgãos responsáveis.
Ao lado dessas medidas, os movimentos de juventude, inclusive da CUT, defendem empregos com direitos, remuneração adequada e tempo para estudar, descansar e participar da vida social. As reivindicações incluem atenção à saúde mental, combate ao racismo e ao machismo, respeito à diversidade e proteção ao meio ambiente.
É com essas demandas que a juventude organizada ocupa as ruas. Ao defender a democracia, reivindica o direito de participar das decisões e de encontrar, nas políticas públicas, condições para transformar suas expectativas em oportunidades reais.
Fonte: Redação CUT Brasil