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Consulta Pública do projeto de Reabilitação do INSS vai até 11 de abril

Consulta Pública do projeto de Reabilitação do INSS vai até 11 de abril

21 de março de 2014

Até o próximo dia 11/04, pessoas físicas e jurídicas, que estejam envolvidas com a saúde do trabalhador podem mandar contribuições para o projeto de Reabilitação Profissional desenvolvido pelo INSS

Está aberta no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) a Consulta Pública sobre Reabilitação Profissional. Até o próximo dia 11 de abril, pessoas físicas e jurídicas, que estejam envolvidas com a temática, podem mandar contribuições para o projeto "Reabilitação Profissional: Articulando Ações em Saúde do Trabalhador e Construindo a Reabilitação Integral". 

De acordo com o INSS, as sugestões para o texto devem ser enviadas por meio do "Formulário de Contribuições", na página de Consulta Pública, no site do Ministério da Previdência Social.

O debate sobre Reabilitação Profissional é extremamente importante e envolve todas as categorias. A Contraf-CUT protocolou em Brasília, no dia 26 de fevereiro deste ano, um requerimento endereçado ao presidente do INSS, Lindolfo Neto de Oliveira Sales, solicitando a participação dos trabalhadores nas discussões deste tema. A Confederação critica a falta de inclusão da Classe Trabalhadora na formatação do projeto, mas vê na Consulta Pública uma oportunidade para as entidades sindicais apontarem as falhas e novos caminhos.

Entre as mudanças que o processo de Reabilitação Profissional podem trazer, o secretário de Saúde do Trabalhador da Contraf-CUT, Walcir Previtale, chama a atenção para os convênios exclusivos com as empresas. O INSS já vem firmando esses acordos, ferindo a legislação brasileira e internacional ao não garantir a participação dos trabalhadores, a exemplo da Convenção 159 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que garante essa participação no seu artigo 5. No novo projeto de Reabilitação Profissional do INSS a exclusividade desses convênios ganham destaque. 

"Foi a partir da constante interferência da Contraf-CUT, que o INSS suspendeu o Acordo de Cooperação Técnica no Âmbito da Reabilitação Profissional com a Febraban, em outubro do ano passado, que passava a Reabilitação Profissional para os bancos. O que vemos é que estes convênios sem a participação e acompanhamento do movimento sindical e dos próprios trabalhadores só geram mais obstáculos na recuperação do trabalhador.", explica Walcir.

Falhas na Reabilitação Profissional

O projeto publicado pelo INSS reconhece que o Programa de Reabilitação Profissional, desenvolvido hoje, não vem cumprindo o seu papel. Em 2012, das 1.363 agências da Previdência em funcionamento, apenas 417 disponibilizavam o serviço e 219 não tinham equipes próprias, dependendo do rodízio de profissionais, como médicos peritos.

A Fundacentro participa da Consulta Pública e prepara um documento que será enviado ao INSS. Nele, a medica do trabalho, Maria Maeno, também relaciona os problemas envolvendo os convênios de Reabilitação Profissional, ao passar para as empresas uma atribuição que é do Estado. 

"Como o INSS possui um quadro de profissionais insuficiente, tende a delegar inteiramente o processo de Reabilitação Profissional às empresas, sem qualquer interferência e controle, o que reforça práticas condenáveis das empresas. O Estado deveria assumir a atribuição da Reabilitação Profissional, que exige o desenvolvimento integrado de um processo complexo de recuperação clínica, aliada à reinserção do trabalhador no local de trabalho."

Condições de trabalho

Ao analisar a proposta do INSS, Maria Maeno afirma que o projeto não prioriza mudanças nas condições de trabalho e não avalia como estes fatores interferem na saúde do trabalhador.

"A proposta não aborda a atividade de trabalho, nem as ações necessárias para mudá-la. Não menciona integração entre os Ministérios da Saúde, do Trabalho ou outras pastas governamentais para um trabalho em conjunto na fase terapêutica e nas ações de intervenção nas empresas para mudanças das condições de trabalho. O INSS continua somente afirmando intenções, sem avançar na construção de uma integração efetiva e com coordenação interministerial."

"Bancários e financiários enfrentam sérios problemas de adoecimento gerados pelo ambiente de trabalho e os bancos se negam em implantar medidas que coloquem em primeiro lugar a saúde dos trabalhadores. É algo que vai muito além da abordagem médica, os trabalhadores, que adoecem e passam por processo de reabilitação profissional, devem ser ouvidos e participar ativamente de todo o processo que determinará o retorno ao trabalho" avalia Walcir.

Clique aqui para ter acesso ao Formulário de Contribuições do INSS da Consulta Pública sobre Reabilitação Profissional.

Bancários doentes 

A categoria bancária registra um alto índice de trabalhadores afastados em função de doenças relacionadas ao ambiente de trabalho. Levantamento do INSS revela que, de janeiro a julho de 2013, foram 10.936 afastamentos, 26,7% deles por estresse, depressão, Síndrome de Pânico e transtornos mentais. Outros 25,1% se afastaram em razão de lesões por esforços repetitivos (LER/DORT), ligados à rotina de pressão e estresse dos bancos. 

Fonte: Contraf-CUT