Estratégia de luta dos trabalhadores é tema da 16ª Plenária da CUT
20 de outubro de 2021
“Vivemos um período tenebroso, como nunca visto na história recente do País”, diz Sérgio Nobre, presidente nacional da CUT, se referindo aos ataques aos direitos e à democracia, ressaltando importância da Plenária da entidade, que será realizada de 21 a 24/10
“Vivemos um período tenebroso, como nunca visto na história recente do País. A Classe Trabalhadora e seus representantes legítimos – o movimento sindical – nunca foram tão atacados como nesse governo desqualificado e criminoso”, diz o presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, ressaltando importância da 16ª Plenária Estatutária da Central para atualizar a estratégia política e organizativa da Central.
O dirigente se refere ao foco dos debates que ocorrerão entre os dias 21 a 24 de outubro, de forma virtual e com a participação de mais de 950 delegados sindicais de todo o País, que debaterão e apontarão estratégias para defender a Classe Trabalhadora e enfrentar os tempos sombrios pós-golpe de 2016, que além de sequestrar o poder das mãos dos trabalhadores e trabalhadoras, mergulhou o País em um caos econômico e social que penaliza o povo brasileiro.
Neste período de ataques e perdas, desemprego e disparada da inflação, a pandemia agravou a crise econômica e, consequentemente, as desigualdades no País. Sem uma proteção efetiva do Estado brasileiro, governado por Jair Bolsonaro (ex-PSL), que não tem nenhum projeto de desenvolvimento para o País, empresas fecharam as portas e muitos, sem nenhuma renda para sobreviver, tiveram de se submeter a atividades sem nenhum direito, garantia e renda digna – isso, quando conseguiram.
As formas de contratação precárias legalizadas pela reforma trabalhista do ilegítimo Michel Temer (MDB-SP), como o contrato intermitente, a pejotização (quando o trabalhador é obrigado a dar nota fiscal para receber salário) e o trabalho informal foram a única forma de sobrevivência para milhões de brasileiros. E Bolsonaro faz de tudo para aprofundar ainda mais a precarização da mão de obra e tirar direitos.
“Na Plenária Estatutária, vamos debater este cenário adverso, as novas formas e modalidades de trabalho e apontar caminhos imediatos e futuros para a organização da nossa Central de forma a representar esses trabalhadores e trabalhadoras”, afirma Sérgio Nobre.
Golpe de 2016: um projeto de destruição do Brasil
O presidente nacional da CUT lembra que em 2010, o Brasil era um País exemplo para o mundo, que caminhava rumo ao pleno emprego, com conquistas sociais históricas. “Onze anos depois, temos um estrago profundo, com desemprego recorde, ataques aos direitos, a volta da fome e da pobreza. Hoje, 20 milhões de pessoas passam dias sem ter o que comer”, ele diz.
Em 2021, ele prossegue, para grande parte da população brasileira a maior preocupação, o maior medo, é a fome.
“Esse é o tamanho da crise social instalada no País. É contra tudo isso que temos de resistir e lutar”, afirma o presidente da CUT. Para ele, todos os caminhos apontam para uma luta que é central para a CUT – o “Fora, Bolsonaro”.
“Não tem como seguir neste País com Bolsonaro governando”, diz o dirigente.
Além de governar privilegiando a elite econômica e o sistema financeiro, todas as medidas e proposições do governo vão no sentido de atacar ainda mais os direitos dos trabalhadores e as políticas sociais que beneficiam milhões de brasileiros. Um exemplo é a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 32, da reforma administrativa, que além de destruir os serviços públicos como saúde e educação, ataca diretamente a carreira dos servidores públicos.
Anteriormente, a pressão do movimento sindical já conseguiu barrar uma dessas medidas. A MP 1045, chamada de reforma trabalhista de Bolsonaro, além da possiblidade de salários inferiores ao mínimo (hoje, R$ 1,100) propunha a criação de empregos sem direitos como o 13° salário, FGTS, aposentadoria e auxílio-doença. A medida foi derrotada no Senado.
“Bolsonaro quer não só destruir os direitos dos trabalhadores como quer também destruir o movimento sindical, porque sabe que nós somos fortes e vamos resistir”, diz Sérgio Nobre.
Por isso, ele ressalta, a plenária será mais um momento importante dessa resistência, “de organizar e aprumar ainda mais a tarefa histórica de defender os direitos da Classe Trabalhadora”.
Unida, forte e combativa
A CUT chega à 16ª Plenária Nacional da CUT completando 38 anos de uma trajetória marcada por organização, lutas, conquistas e muitos desafios para o movimento sindical e para a sociedade brasileira, tornando-se uma das maiores centrais do continente e uma das principais centrais sindicais do mundo em tamanho e relevância nas lutas globais da Classe Trabalhadora.
A Central nasceu buscando a construção de uma entidade sindical unitária e classista, que exerce a democracia. Nessas quatro décadas, promoveu muitas transformações sindicais, entre elas, a criação das Estaduais da CUT, as filiações internacionais e a construção dos ramos foram as mais relevantes, mas não as únicas.
Na história do Brasil, a CUT esteve presente nos mais importantes momentos como o combate à ditadura, na luta pelas diretas, na recuperação de perdas salariais e na implantação da política de valorização do salário mínimo e outras políticas sociais importantes em defesa da população negra, mulheres, LGBTQIA+, pessoas com deficiência e, sobretudo, na eleição do primeiro presidente operário da história do Brasil – Luiz Inácio Lula da Silva – considerado o melhor presidente de todos os tempos.
Mas, o momento atual e o futuro exigem uma atuação sindical ainda mais contundente. A CUT tem história suficiente para, mais uma vez, ousar e se reinventarmos diante das profundas transformações do mundo do trabalho provocadas pela indústria 4.0, pela precarização do trabalho e pela recente crise provocada pela incapacidade do governo brasileiro no enfrentamento da pandemia de covid-19.
E este é o debate central da Plenária.
Desafios
A 16ª Plenária Estatutária da CUT será realizada neste contexto, inédito, desde a sua fundação, em 1983.
“Fomos exigidos a nos reinventar de forma acelerada para mantermos a mobilização e a luta. Agimos com prudência e responsabilidade, seguindo as orientações e os protocolos científicos. Encaramos as inúmeras dificuldades com a utilização de recursos tecnológicos e plataformas de comunicação digital até então pouco usuais para quase todos nós”, diz trecho da apresentação do texto base da Plenária.
A referência é sobre as novas formar de atuação impostas no contexto da pandemia em que encontros presenciais, manifestações de rua e toda a rotina do movimento sindical – assim como de outros setores – teve de se adaptar a uma nova realidade.
A CUT tem se dedicado a construir novas metodologias para garantir a sua presença e identidade neste momento do necessário debate democrático a se fazer. “A CUT apontará o caminho para a ampliação de sua força, organização e representatividade para a defesa dos interesses imediatos e históricos da Classe Trabalhadora, a luta por melhores condições de vida e trabalho, e o engajamento no processo de transformação da sociedade brasileira em direção à democracia e ao socialismo”, conclui a apresentação.
A abertura da 16ª Plenária Estatutária da CUT será transmitida pelas redes sociais no dia 20, a partir das 19h.
Confira a programação
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21/10 08h00 - Abertura da sala 09h – Saudação e acolhida dos delegados/as 09h15 – Leitura e Aprovação do Regimento Interno 10h00 – Conjuntura Conferência “os desafios da Classe Trabalhadora na atual conjuntura e perspectivas futuras”, com Dilma Roussef e Celso Amorim 11h00 – Apresentação do Texto Base sobre Conjuntura 11h15 – Intervalo 11h30 – Exposição das forças políticas 12h10 – Intervenções de Plenário 13h30 – Encerramento dos trabalhos do dia |
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22/10 09h – Saudação e acolhida dos delegados/as 09h20 – Estratégia da CUT Exposição da CSA – Rafael Freire Apresentação do Texto Base – Carmen Foro 10h20 – Apresentação do projeto “Brigadas Digitais da CUT” 10h40 – Grupos de Trabalho Intervalo – definição em cada grupo 12h30 – Apreciação e Votação das Emendas sobre tema da Estratégia – Plenário 13h30 – Encerramento dos trabalhos do dia |
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23/10 08h30 - Abertura da sala 09h00 – Saudação e acolhida dos delegados/as 09h15 – Projeto Organizativo da CUT Exposição do presidente Sergio Nobre 10h00 – Grupos de Trabalho: Intervalo – definição em cada grupo 13h00 – Apresentação do Projeto CUT/OIT “Investigação, Organização e Fortalecimento dos Direitos e Diálogo Social com os Trabalhadores de Aplicativos de Entrega em Brasília e Recife” 13h30 – Encerramento dos trabalhos do dia |
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24/10 09h00 – Saudação e acolhida dos delegados/as 09h15 – Projeto Organizativo da CUT Apreciação e Votação das Emendas sobre Projeto Organizativo da CUT 11h15 – intervalo 11h30 - Plano de Lutas Apreciação e Votação de Emendas ao Plano de Lutas 12h30 – Moções Apreciação e Votação de Moções 13h00 – Encerramento da 16ª Plenária Nacional Coordenação Geral da Plenária Carmen Foro e presidente da CUT, Sergio Nobre Vídeo final |
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Por André Accarini, com edição de Marize Muniz/CUT Nacional