Geral

Liminar da Justiça abre precedente para discriminação contra homossexuais

Liminar da Justiça abre precedente para discriminação contra homossexuais

19 de setembro de 2017

Decisão tomada por juiz do Distrito Federal abre precedentes para ataques contra homossexuais e a direitos duramente conquistados após décadas de luta

Em decisão liminar, a Justiça Federal do Distrito Federal acatou parcialmente no dia 15 de setembro uma ação popular contra a Resolução 01/99 do CFP (Conselho Federal de Psicologia), que proíbe “terapias de reversão sexual”. Um grupo de psicólogos pede a suspensão da resolução.

O juiz deferiu, em parte, o pedido do grupo de psicólogos. Sem suspender os efeitos da resolução, determinou que o CFP não a interprete de modo a impedir estudos ou atendimentos, de forma reservada, às pessoas que procurarem orientação sexual, garantindo a plena liberdade científica aos profissionais, sem qualquer censura ou necessidade de licença prévia por parte do CFP.

O Conselho Federal de Psicologia já informou que vai recorrer da decisão e emitiu uma nota em que diz que o “Judiciário se equivoca, neste caso, ao desconsiderar a diretriz ética que embasa a resolução, que é reconhecer como legítimas as orientações sexuais não heteronormativas, sem as criminalizar ou patologizar. A decisão do juiz, valendo-se dos manuais psiquiátricos, reintroduz a perspectiva patologizante, ferindo o cerne da Resolução 01/99” (leia a íntegra da nota do CFP).

Para Adilson Barros, diretor da Contraf-CUT e membro da CGROS (Comissão de Gênero, Raça, Orientação Sexual e Trabalhadores e Trabalhadoras com Deficiência), apesar de a decisão não suspender a resolução do CFP, ela abre a possibilidade para terapias equivocadas de “cura gay”.

“A OMS (Organização Mundial da Saúde) já definiu que o homossexualismo não é doença. Mas, uma decisão como essa, no momento em que estamos vendo o aumento do preconceito e da discriminação em todo o mundo, onde grupos estão assumindo seus pensamentos de supremacia sobre outros, abre-se precedentes perigosos, que podem descambar para ataques contra homossexuais e até mesmo levar a perdas de direitos duramente conquistados após décadas de luta”, disse o diretor da Contraf-CUT.

Militantes LGBTs já lançaram uma petição pública para que as pessoas se manifestem contra a decisão do juiz.

Campanha contra a discriminação

A Contraf-CUT lançará no início de outubro uma campanha nacional contra a discriminação nos bancos. Além da discriminação contra LGBTs, a campanha também alertará sobre a discriminação contra mulheres, negros e pessoas com deficiência.

“As mulheres continuam recebendo menos do que os homens, mesmo exercendo as mesas tarefas. O acesso a cargos mais elevados é dificultado a elas. LGBTs, negros e pessoas com deficiência não são contratados e, quando são, mantidos fora do campo de visão dos clientes. Essa discriminação tem que acabar nos bancos”, afirmou Adilson.

Fonte: Contraf-CUT