Geral

Categoria defende criação de políticas de prevenção em reunião com bancos

Categoria defende criação de políticas de prevenção em reunião com bancos

19 de maio de 2017

Representantes da Contraf-CUT se reuniram, na quarta-feira (17/05), em São Paulo, para negociar com a Fenaban políticas de aprimoramento e fortalecimento do Instrumento de Combate ao Assédio Moral.

Representantes da Contraf-CUT, de entidades filiadas e membros do Coletivo Nacional de Saúde do Trabalhador se reuniram, na quarta-feira (17/05), em São Paulo, para negociar com a Fenaban políticas de aprimoramento e fortalecimento do Instrumento de Combate ao Assédio Moral.

Os dirigentes sindicais reforçaram mais uma vez a questão do estabelecimento de políticas de prevenção, considerando a natureza do instrumento, que trata da prevenção de conflitos nos ambientes de trabalho, sendo o assédio moral os casos prevalentes das denúncias que são encaminhadas pelos canais dos Sindicatos signatários do Acordo Coletivo.

O Instrumento, criado em 2010, prevê canais de denúncias por parte dos sindicatos, que devem, antes de encaminhar os casos aos bancos, fazer todo um tratamento do caso, certificando-se tratar de assédio moral no trabalho, acompanhar todo o processo de apuração, dar retorno para a pessoa que denunciou e ter certeza que houve melhoria nas condições e processo de trabalho. A avaliação do instrumento acontece a cada semestre, entre a Contraf-CUT e Fenaban, e os dados são apresentados e debatidos.

A categoria reivindica a redução do prazo de apuração dos atuais 45 dias para 30 dias; a estratificação dos casos que transitaram pelo Instrumento; e a criação de critérios de apuração utilizados pelos bancos para determinar que uma denúncia foi procedente ou improcedente. 

Segundo a Fenaban, ainda não há entendimentos dos bancos em reduzir o prazo de apuração, considerando que 20% dos casos tem ultrapassado o prazo de 45 dias, ocasionando negociação com os Sindicatos para a ampliação do prazo. Entretanto, a bancada patronal afirmou que há espaço para a continuidade do debate e que é possível chegar a um entendimento de redução de prazo. Mas não especifica qual a qualidade da redução.  Também não há entendimentos entre os bancos para estratificação. Já sobre os critérios de apuração, a Fenaban disse que estes são praticados pelos bancos e balizados pelos princípios da cláusula 58ª da CCT (Convenção Coletiva de Trabalho).

Os representantes dos trabalhadores insistiram na redução do prazo, pois entendem que o assédio moral é uma distorção das relações de trabalho, que gera um ambiente de trabalho ruim e que adoece as pessoas. A redução do prazo vai ao encontro justamente das políticas de prevenção, assunto que a Contraf-CUT tem abordado com profundidade e frequência na mesa de negociação. No mesmo sentido da prevenção, a estratificação dos temas que transitam pelo instrumento é uma necessidade urgente e dará uma qualidade na avaliação semestral do programa.

“Isto é muito importante, porque o movimento sindical precisa saber o que os bancários e bancárias estão denunciando, sobretudo pelos canais dos bancos, pelo caráter preventivo e bipartite do instrumento”, avalia Kelly Menegon, secretária de Saúde do Sindicato de Londrina e integrante do Coletivo Nacional de Saúde do Trabalhador Bancário.

Quanto aos critérios de avaliação praticados pelos bancos, apesar de a cláusula balizar o que pode e o que não pode, os bancários sabem que há diferenças de procedimentos entre os bancos e isso precisa ser tratado na mesa de negociação. Os trabalhadores têm o direito em saber as razões que levaram o banco a indeferir um caso de assédio moral que passou pelo instrumento e não simplesmente ficar sem respostas.

Para Kelly, este canal de negociações a respeito da saúde da categoria é essencial para aprimorar as formas de prevenção do assédio moral, mas é preciso cobrar dos bancos maior comprometimento com este instrumento.

“Infelizmente a postura da Fenaban ainda é inadequada, porque faltam respostas concretas para que consigamos resolver os problemas relacionados aos conflitos no ambiente de trabalho, principalmente no que diz respeito às metas abusivas”, ressalta.

A próxima negociação está prevista para ocorrer no mês de julho de 2017.

Fonte: Contraf-CUT