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Sem negociar com Sindicatos, Santander abrirá agências no sábado (22)

Sem negociar com Sindicatos, Santander abrirá agências no sábado (22)

18 de janeiro de 2022

Depois de ter tentado, sem sucesso, abrir suas agências aos sábados, o Santander agora volta com essa ideia para lançar a campanha “Desendivida”, sem levar em conta o agravamento da pandemia de Covid-19 no País. O banco pretende abrir 3 mil agências no País das 10h às 14h no sábado (22)

Sem negociar com o movimento sindical, o Santander abrirá suas 3 mil agências, em todo o Brasil, no próximo sábado (22/01), das 10h às 14h, por conta do lançamento da campanha “Desendivida”. A iniciativa foi anunciada no domingo (16), durante o programa Fantástico, da Rede Globo, pegando os funcionários de surpresa.

Trabalharão gerentes de negócios e serviços de 8 horas; gerentes gerais; e gerentes PJ, PF e Van Gogh. Não trabalharão caixas, GNS de 6 horas e demais cargos não descritos acima.

Os bancários que trabalharem as 4 horas compensarão uma hora e meia para cada hora trabalhada. E a compensação se dará na semana seguinte, e não nos 6 meses praticados por meio da Política Interna de Compensação de Horas, que não foi negociada com o movimento sindical.

Importante frisar que não houve nenhuma negociação com o movimento sindical sobre a abertura das agências no sábado, nem qualquer espaço por parte do banco a fim de melhorar as condições para os trabalhadores. Houve unicamente uma conversa telefônica, por meio da qual o banco informou a decisão, que já havia sido tomada pela sua direção.

“É importante que haja conversas antes da comunicação pública, mas, mais do que conversar, queremos espaço de negociação, espaço para colocar o sentimento do trabalhador, as condições de trabalho, as dificuldades impostas pela abertura num sábado, mas o Santander insiste na postura antissindical e antitrabalhador”, critica Lucimara Malaquias, coordenadora da COE (Comissão de Organização dos Empregados) do Santander.

O banco negou o pagamento de horas extras alegando dificuldades sistêmicas para tal. “Além de convocar para trabalhar aos sábados, durante a pandemia, o banco ainda se nega a pagar horas extras”, denuncia a dirigente.

“Para abrir uma agência no sábado, o banco precisa fazer alterações sistêmicas e logísticas complexas e tudo isso foi feito em tempo recorde, mas quando se trata de beneficiar os funcionários, o banco sempre tem uma enorme dificuldade. Isso só aumenta a indignação dos trabalhadores”, pontua Lucimara.

Endividamento da população: sistema financeiro também é culpado

O banco alega que a inadimplência está alta e crescente, o que tem levado muitos clientes a serem negativados, e, por conta disto, ficarem sem crédito no mercado, num momento crítico de desemprego agravado pela crise econômica e sanitária no País.

Mas é importante ressaltar que o Santander, como todo o sistema financeiro, é parte da crise econômica no país, tendo em vista as tarifas e juros extorsivos e também a prática de direcionar e segmentar o crédito para públicos que despertam interesse financeiramente.

“O Santander pode fazer muito para reduzir a inadimplência e a pobreza no país: gerar empregos; parar as demissões; reduzir juros e tarifas; interromper a terceirização; deixar de apoiar projetos de leis que retiram direitos e reduzem a massa salarial da população; e incentivar o crédito para pequenas e médias empresas, e oferecer crédito responsável para os clientes”, enumera Lucimara.

Medida tomada em pleno agravamento da pandemia

Além disto, o País vive o agravamento da pandemia do coronavírus, junto com um surto de Influenza, o que tem causado aumento nas contaminações nas agências e prédios e prejudicado os bancários.

Nesta situação específica, há uma questão social colocada: a campanha Desendivida pode ajudar milhares de clientes que já estão sem crédito ou prestes a negativarem, num momento em que mais de 14 milhões de pessoas estão desempregadas e sem perspectivas de retornarem ao mercado de trabalho.

“Porém há formas mais eficazes para ajudar a população, uma delas é contratar bancários para que possam atender a demanda de segunda a sexta, e das 10h às 16h”, sugere Lucimara.

O Sindicato de São Paulo constatou uma grande indignação dos trabalhadores em trabalharem no sábado, em meio a um momento crítico da pandemia de covid-19 e do surto de influenza. Além disto, ao longo da pandemia, o Santander tem exposto bancários ao trabalho presencial, protocolos frágeis contra covid-19 e intensificado a terceirização que, na prática, significa retirada de direitos.

“Em que pese a questão social colocada na campanha, é primordial que o Santander atue para garantir a saúde e a vida dos bancários e clientes; que gere empregos decentes, e não terceirizados; que dê contrapartida social ao país de forma permanente; que reduza os juros e tarifas que são impraticáveis no restante do mundo; que dirá durante uma crise econômica e sanitária”, protesta Lucimara.

Trabalhadores pegos de surpresa

Os principais afetados com o trabalho aos sábados foram pegos de surpresa: a maioria dos trabalhadores receberam a informação durante o programa fantástico na Rede Globo, o que aumentou a indignação.

“Mais uma vez fica claro o descaso do banco com os funcionários. O clima interno entre os trabalhadores é de extrema indignação, esperamos que isto sirva de aprendizado para a direção do Santander, para que no futuro avalie melhor as campanhas desenvolvidas. Pois a satisfação dos trabalhadores é condição básica para o sucesso da ação”, afirma Lucimara.

O movimento sindical fará manifestações e denúncias públicas em todo o País, e estuda medidas judicias. Fiquem ligados nas redes dos Sindicatos e participem!

Fonte: SPbancários