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Jornada Continental reúne ativistas de 23 países em Montevidéu

Jornada Continental reúne ativistas de 23 países em Montevidéu

17 de novembro de 2017

Está sendo realizada em Montevidéu, entre os dias 16 e 18/11, a Jornada Continental pela Democracia e contra o Neoliberalismo, que reúne trabalhadores de 23 países


Delegação do Paraná presente na Jornada Continental
pela Democracia e contra o Neoliberalismo

Uma grande marcha realizada na quinta-feira (16/11) pelas ruas de Montevidéu, organizada pelas Centrais Sindicais do Uruguai (PIT-CNT), marcou a abertura da Jornada Continental pela Democracia e contra o Neoliberalismo. A atividade foi construída pelo movimento sindical e organizações sociais da região, com objetivo de mobilizar os povos para a defesa da democracia, atualmente ameaçada em vários países da América do Sul por forças conservadoras, que pressionam por novos tratados de livre-comércio, retomando a agenda neoliberal e atacando direitos sociais e trabalhistas.

O evento, que ocorrerá até sábado (18), tem a presença de dirigentes da Contraf-CUT e de diversas entidades sindicais filiadas, e aborda a luta pela democracia, a soberania, a integração dos povos e a resistência ao livre comércio e às transnacionais.

“Trabalhadores de 23 países reafirmaram o desejo de combater as reformas laborais que estão sendo feito unilateralmente, sem a participação da classe trabalhadora, e o avanço neoliberal no continente”, afirmou Roberto von der Osten, presidente da Contraf-CUT. “Estamos aqui trocando experiências, acumulando para que brevemente a gente tome o poder definitivo. Porque um governo que concentre renda e exclua os trabalhadores é inadequado para os nossos países e somos contra. Queremos construir um novo mundo, um mundo que seja fraterno, igualitário e que distribua oportunidades”, completou.

A jornada acontece uma década depois de os movimentos sociais terem derrotado a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas).  De fato, a ALCA foi uma proposta feita pelos Estados Unidos, em 1994, com o objetivo de eliminar barreiras alfandegárias entre os 34 países americanos, formando assim uma área de livre comércio, com uma evidente vantagem para a indústria norte-americana, que ofereceria produtos a preços mais baixos no continente latino-americano, levando, supostamente, ao fechamento de indústrias e ao aumento do desemprego na América Latina.

Com muita luta dos movimentos, o projeto da ALCA foi recusado pela maioria dos governos latino-americanos durante a 4ª Cúpula das Américas.

A jornada se propõe a debater a escalada de retirada de direitos que vem se dando no Brasil e outros países na América Latina, com eliminação de importantes programas sociais, por governos ilegítimos ou sustentados pelo capital, que retoma fortemente a agenda neoliberal de aprofundamento da desigualdade e concentração de riqueza, o que exige a organização e a mobilização continental para enfrentar a complexidade da conjuntura atual. Assim, a jornada se constitui num importante movimento para fortalecer o processo de unidade da luta e ação sindical.

Para o segundo dia estão previstos encontros setorizados entre os países.

O final da jornada será com uma grande plenária de convergência, que definirá uma agenda comum de luta para o próximo período no continente.

Fonte: Contraf-CUT