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Despesas com aposentadorias dos militares crescem mais que as do INSS

Despesas com aposentadorias dos militares crescem mais que as do INSS

11 de janeiro de 2019

Discurso do presidente Jair Bolsonaro em defesa da reforma da Previdência para acabar com "privilégios" não leva em conta as despesas com os militares. Matéria do Estadão revela que o rombo com os militares é bem maior do que com os civis

Enquanto o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e sua equipe continuam discursando que a reforma da Previdência é necessária para evitar o caos no sistema, culpando, principalmente os servidores públicos pelo desequilíbrio nas contas, o site do Estadão divulga matéria revelando que na verdade são os militares os responsáveis por grande parte do rombo.

De acordo com matéria da jornalista Indiana Tomazelli, o rombo na previdência dos militares das Forças Armadas foi o que mais cresceu no ano passado, conforme demonstram dados oficiais até novembro de 2018.

Segundo ela, a equipe econômica defende a inclusão dos militares na proposta de reforma da Previdência, sobretudo porque o presidente Jair Bolsonaro pertence à categoria e deveria “dar o exemplo” enquanto pede “sacrifício” à população com regras mais exigentes para aposentadoria.

O déficit na previdência dos militares até novembro de 2018 subiu 12,85%, passando de R$ 35,9 bilhões no ano anterior para R$ 40,5 bilhões. Nesse período, as receitas somaram R$ 2,1 bilhões, enquanto as despesas, R$ 42,614 bilhões.

Por outro lado, o déficit dos servidores civis da União somou R$ 43 bilhões até novembro do ano passado, o que representou alta de 5,22% em relação ao valor apurado no mesmo período de 2017. Já o rombo no INSS subiu 7,4% na mesma base de comparação.

Privilégios

Com um regime de previdência muito mais generoso do que o existente em outros países, como o do Reino Unido e dos EUA, os militares da reserva e reformados das Forças Armadas Brasileiras ganham, em média, R$ 13,7 mil de benefício mensal. Aposentados e pensionistas civis da União custaram R$ 9 mil mensais em 2018, enquanto os aposentados em geral do INSS recebem benefício médio de R$ 1,8 mil mensais.

Nos outros países, o benefício integral aos militares só é pago em casos de invalidez, mas no Brasil , segundo constatou auditoria feita recentemente pelo Tribunal de Contas da União, 55% dos militares das Forças Armadas se aposentam entre os 45 anos e os 50 anos de idade.

Isso demonstra a existência de uma grande disparidade com o INSS e até mesmo com o regime de servidores públicos civis da União, em que as concessões de aposentadoria se concentram entre 55 e 65 anos.

Apesar desse tratamento diferenciado os militares de alta patente que agora têm ampla participação no novo governo, resistem à inclusão da categoria na proposta de reforma. O argumento deles é que a carreira tem peculiaridades e deveria ser tratada à parte, com um projeto para rever não só as aposentadorias, mas também a estrutura remuneratória da carreira como um todo.

Um deles é o novo comandante da Marinha, Ilques Barbosa Junior, empossado na quarta-feira (9/01), que defendeu deixar de fora as Forças Armadas da reforma da Previdência. Para ele, é “impróprio” mencionar a palavra Previdência para se referir ao regime de aposentadoria dos militares. “Nós não temos Previdência, mas sim proteção social dos militares”, afirmou.

Multiplicando os ganhos

Aproveitando a onda da “nova política”, muitos militares foram eleitos nas urnas em 2018 para deputado estadual, deputado federal, governador, senador e o próprio Jair Bolsonaro se tornou presidente da República.

Levando o fato de que vários deles já estão na reserva, ou seja, aposentados, acumularão os benefícios previdenciários com os rendimentos que passarão a receber nos cargos assumidos agora. Sem falar naqueles que se tornaram ministros ou que estão sendo indicados para ocupar cargos de alto escalão no governo Federal e nas empresas públicas com altos salários.

Diante desse cenário, não restam dúvidas de que a reforma da Previdência não vai acabar com privilégios, mas sim manter ilesos aqueles que já desfrutam de generosos benefícios e jogar a conta do rombo no sistema para aqueles que mais precisam da proteção social.

Fonte: Estadão