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Congresso mostra “Retrato do Banco do Brasil nos últimos anos”

Congresso mostra “Retrato do Banco do Brasil nos últimos anos”

09 de agosto de 2021

Participantes do 32º CNFBB assistiram no segundo painel do evento, realizado no domingo (8/08), uma apresentação sobre o balanço financeiro e informações do histórico de atuação do banco, reflexões ajudam pensarmos o Banco do Brasil que queremos

A segunda mesa de debates do 27º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil tratou do “Retrato do Banco do Brasil nos últimos anos”, com a participação do ex-gerente de Soluções, Jean Moreira Rodrigues, e da economista Nádia Vieira de Souza, do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômico).

Jean Rodrigues abordou a discussão falando sobre as transformações na economia e nos modelos de negócio e como o Banco do Brasil se comportou no decorrer dessas mudanças. Inicialmente ele destacou que as transformações na economia mundial se caracterizam pela volatilidade, incerteza, complexidade, e ambiguidade dos cenários. “Ninguém imaginava a pandemia, por exemplo. Você não consegue fazer mais previsão. Antes, se faziam previsões para cinco ou dez anos. Isso não acontece mais. As novas tecnologias transformaram e pautaram os modelos de negócios. Isso impacta as economias e a própria indústria financeira”, pontuou.

Jean Rodrigues ressaltou que a criação do Banco do Brasil aconteceu a partir de modelos de séculos atrás. Empresas e pessoas cada vez mais ficam menos equipados para compreender esse crescimento exponencial em que vivemos. Por outro lado, Jean destacou que o sistema bancário brasileiro é altamente concentrado, detém 77% dos ativos totais e 79% dos depósitos totais. “Isso faz com que o Banco Central regule essa concorrência baixa adotando uma série de medidas para promover maior competição no sistema bancário. São fintechs, é o PIX, o open banking, pagamentos e transferência de fundos em real-time”, exemplificou.

Para acompanhar as mudanças, Jean afirmou que os bancos investem muito em tecnologia e um dos efeitos é a redução do número de agências. “Isso tem produzido impactos nas economias locais, mas também afeta o emprego bancário”, observou. Entre as décadas de 1930 e 1980, lembrou Jean, o Estado brasileiro promoveu o processo de industrialização com os bancos públicos. “A inciativa privada não teve interesse no passado e no presente esse interesse também é muito pouco”, observou. Jean Rodrigues destacou que a mudança no Banco do Brasil ocorreu a partir de 2016. “O banco nunca deixou de buscar a rentabilidade. Mas, até 2015, além do foco na rentabilidade, também tinha um foco muito grande no desenvolvimento do País. A partir de 2016, o governo Temer começou a fazer a mudança. O foco passou a ser mais a rentabilidade em si com uma insistência para buscar rentabilidade compatível com bancos privados. O Banco do Brasil deixa de ter papel de fomento da economia brasileira, que justifique a sua manutenção como uma empresa pública”, conclui.

Balanço

A economista do (Dieese (Departamento Intersindical e Estatística e Estudos Socioeconômicos) apresentou dados do balanço do Banco do Brasil no primeiro semestre de 2021. O banco obteve lucro líquido ajustado de quase R$ 10 bilhões, com crescimento de 48,4% em relação ao mesmo período de 2020. No segundo trimestre, o lucro foi de R$ 5 bilhões, aumento de 52,2% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.

Em um ano, o banco fechou 6.956 postos de trabalho e, do primeiro para o segundo semestre de 2021, essa redução de pessoal se acentuou ainda mais. Somente neste segundo trimestre, no escopo do PAQ (Programa de Adequação de Quadros) e do PDE (Programa de Desligamento Extraordinário), o banco reduziu seu quadro de pessoal em 2.358 funcionários. Além disso, em 12 meses, foram fechadas 390 agências e 33 postos de atendimento bancário e o número de clientes aumentou em 2,9 milhões.

As receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias alcançaram R$ 14,1 bilhões no ano, enquanto as despesas com pessoal, incluindo o pagamento da PLR, somou R$ 12 bilhões no período. Ou seja, somente com a receita de tarifas e serviços bancários, que representa uma parte ínfima de toda a arrecadação do banco, é possível cobrir todas as despesas com funcionários e ainda sobram 17,4% do valor.

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Fonte: Contraf-CUT