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Índice usado em negociações salariais, INPC tem segunda maior taxa em quase 20 anos

Índice usado em negociações salariais, INPC tem segunda maior taxa em quase 20 anos

09 de julho de 2022

Com índice de inflação acima de dois dígitos há 11 meses, o INPC ficou em 11,91% no mês de junho, que é o segundo maior percentual acumulado em quase 20 anos. Situação se reflete nos acordos salariais, que têm perdido para a inflação, e compromete o sustento da população

Adotado como referência das negociações salariais, o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) acumulou 11,91% em 12 meses, até junho, o segundo maior percentual acumulado em quase 20 anos.

A taxa em 12 meses perdeu apenas para o total de abril (12,47%). Antes disso, o INPC só foi maior em novembro de 2003 (12,76%). Com uma diferença: naquele período, primeiro ano do governo Lula, a inflação estava desacelerando. Tanto que nos anos seguintes se manteria sempre abaixo dos dois dígitos.

Agora, a situação se inverte. Com uma leve curva em abril, o índice se mantém acima de 10% há 11 meses, desde agosto do ano passado. A alta inflacionária se reflete nas campanhas salariais. Em maio, por exemplo, 54,5% dos reajustes ficaram abaixo da inflação, segundo balanço do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). No ano, 44,7% dos acordos ficaram aquém do INPC, com reajustes médio de -0,78%.

 Em junho, conforme divulgado na sexta-feira (8/07) pelo IBGE, o INPC teve alta de 0,62%, ante 0,45% em maio e 0,60% um ano atrás. Agora, soma 5,61% no ano e 11,92% em 12 meses – o que já supera o resultado de todo o ano de 2021 (10,16%, que já foi o maior resultado anual desde 2015).

Todas as regiões tiveram alta no mês passado. Na Grande São Paulo, por exemplo, o INPC atinge 12,15%. As maiores taxas foram registradas nas regiões metropolitanas de Salvador (13,98%) e Curitiba (13,92%), e a menor, em Belém (9,36%).

Por Vitor Nuzzi/RBA