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Caged mostra redução de 212 postos de trabalho na categoria em 11 meses

Caged mostra redução de 212 postos de trabalho na categoria em 11 meses

09 de maio de 2022

Pesquisa do Dieese revela que nos últimos 11 meses foram fechados 212 postos de trabalho no setor bancário. Dados do Caged mostram que foram feitas 2.892 admissões no período, mas também ocorreram 3.103 desligamentos

Após 11 meses de resultados positivos, o setor bancário apresentou, no mês de março, queda no emprego formal de 212 postos de trabalho (2.892 admissões e 3.103 desligamentos). Nos últimos 12 meses, o saldo ainda é positivo, em 11,7 mil postos, impactado pela contratação de profissionais de tecnologia da informação, vagas não ligadas diretamente a serviços bancários, e pela convocação, pela Caixa Econômica Federal, de aprovados no concurso de 2014, seguindo ordem judicial.


Durante a pandemia do novo coronavírus, de março de 2020 a março de 2022, foram fechados cerca de 2 mil postos de empregos bancários. Já nos últimos 12 meses, foram 47.978 admissões (12,6% da Caixa) e 36.240 demissões. Os dados são do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

Gênero, idade e remuneração

Em março, mês marcado pela luta das mulheres, o saldo de emprego bancário entre os homens foi positivo em 96 postos, e entre as mulheres, negativo em 308 vagas. Para Fernanda Lopes, secretária da Mulher da Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), “os números mostram que a discriminação é estrutural no Brasil, e se manifesta mesmo contra uma categoria bem organizada, como a nossa. Por isso, a luta pela igualdade de gênero deve ser constante, não devemos baixar a guarda nunca”.

No que se referem às faixas etárias, houve ampliação apenas na faixa de 18 a 29 anos, com 447 vagas. Para as demais idades, foram fechados 659 postos. O salário mensal médio de um bancário admitido em março foi de R$ 5.558,55, enquanto o do desligado era de R$ 6.414,92. Ou seja, nas novas contratações a remuneração ficou em 86,7% abaixo da de quem foi demitido.

Para Bianca Garbelini, secretária da Juventude da Contraf-CUT, “é compreensível que um funcionário iniciante tenha um salário menor, mas o jovem trabalhador enfrenta a precarização em todos os âmbitos e não é diferente no ramo financeiro. A categoria deve estar muito atenta para que os bancos não adotem essa prática para reduzir a folha, sem respeito a quem esteja em uma fase adiante na carreira”.

Ramo financeiro

No ramo financeiro, sem contar a categoria bancária, houve mais contratações que demissões em todos os últimos 12 meses, com a geração de 47,6 mil postos. Em março, foram abertas 3.402 novas vagas, 12,4% a mais que fevereiro. No entanto, em comparação ao mesmo mês do ano de 2021 houve redução de 25,9%.

Entre as atividades financeiras, as que mais contribuíram para o impacto favorável foram crédito cooperativo (860 vagas), holdings de instituições não financeiras (813) e corretores e agentes de seguros, de previdência complementar e de saúde (480).

Caged geral

Em março de 2022, o Novo Caged mostra que o emprego com carteira assinada teve crescimento de 136.189 postos. Em relação aos resultados gerais do mercado, que inclui o trabalho informal, no primeiro trimestre de 2022, a desocupação estava em 11,1%, ou 12 milhões de trabalhadores, segundo a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua.

Havia também 27,3 milhões de pessoas subutilizadas e cerca de 4,7 milhões desalentados. Dos 95,2 milhões de ocupados, 46,2 milhões (48,5%) estão em postos sem carteira assinada ou atuam por conta própria, montante superior aos protegidos pela legislação trabalhista, dados que reforçam a precarização no mercado de trabalho brasileiro.

Confira análise mais detalhada no estudo do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), subseção Contraf-CUT.

Fonte: Contraf-CUT