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Economistas apontam ‘maquiagem nos dados‘ para prejudicar trabalhadores

Economistas apontam ‘maquiagem nos dados‘ para prejudicar trabalhadores

09 de maio de 2017

CPI da Previdência, instalada no Senado, realizou ontem (8/05), em Brasilia, sua quarta reunião, com a presença de economistas, que apontaram manobras do governo para prejudicar trabalhadores

A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), criada no Senado para investigar as contas da Previdência Social, realizou ontem (8/05), em Brasília, sua quarta reunião, com a participação de economistas especializados sobre o assunto.

Eles criticaram a PEC 287, proposta pelo governo de Michel Temer, que propõe alteração das regras atuais da Previdência,  por terem constatado que são maquiados os dados apresentados para justificar a retirada de direitos dos trabalhadores.

A professora de economia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Denise Lobato, afirmou que a União colabora para criar um déficit inexistente da Previdência, ao não cobrar sonegadores e conceder renúncias fiscais.

Ela citou ainda dados divulgados pelo Palácio do Planalto que estariam maquiados para forçar a sociedade a acreditar na necessidade da reforma, entre eles o de que, em 2060, o país terá 35% da população formada por idosos, quando, segundo o IBGE, a tendência é de redução. "Não é mostrado que a taxa de crescimento da população idosa é decrescente. Nós estaríamos em 2017 no pico do crescimento dessa taxa da população idosa e, daí para frente, nós teríamos decréscimo. O que nos faz pensar que a 'despesa' no futuro teria de cair e não subir."

A professora de economia da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte, Rivânia Moura, também contestou a metodologia do governo. Ela afirmou que, comparado aos países da América Latina e da União Europeia, o Brasil é um dos países que têm menor gasto do PIB em aposentadoria, com 7,5% do total, à frente apenas de Chile e México.

Ela garante que a redução dos investimentos, aliado ao tempo que será acrescentado para a aposentadoria, vai causar um desastre social a curto e médio prazo. "Impacta na saúde dos trabalhadores, que serão obrigados a ficar mais tempo no trabalho. Também há o impacto na assistência social pelo nível de pobreza, que a gente já tem hoje no país. Nós vamos entrar num processo regressivo."

O coordenador ajunto do Dieese, Clóvis Scherer mencionou ainda a reforma trabalhista, que aliada a da Previdência, vai tornar impossível a aposentadoria para milhões de brasileiros por causa do crescimento da informalidade. "A gente teme que haja um estímulo à arranjos precários de emprego, quando é a pessoa trabalhando por conta própria, sem contribuir para a Previdência, o que ficará mais difícil de atingir esse requisito que o governo propõe de 25 anos de contribuição."

A Comissão Especial da Câmara que analisa a reforma da Previdência deve concluir ainda esta semana a votação de 12 destaques, que ficaram em aberto, após a ocupação realizada pelos vigilantes penitenciários, na semana passada.

Fonte: Brasil Atual