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Reforma trabalhista derrubou arrecadação da Previdência

Reforma trabalhista derrubou arrecadação da Previdência

09 de abril de 2019

Aumento da “pejotização” no País, consequência da reforma trabalhista de Temer, apoiada pelo então deputado federal Jair Bolsonaro, reduziu a arrecadação da Previdência Social com as contrições pagas por empregados e patrões, aponta pesquisa da Unicamp

A reforma trabalhista, aprovada no governo Michel Temer (MDB) no final de 2017 e defendida por Jair Bolsonaro (PSL) – que, na época como deputado, votou a favor da medida –, pode ser apontada como uma das responsáveis pela queda na arrecadação da Previdência Social, que faz o pagamento das aposentadorias.

As novas regras permitiram outras modalidade de formalização dos contratos de trabalho e incentivou a "pejotização" em diversos setores, como explica a doutorando em Desenvolvimento Econômico na Unicamp (Universidade de Campinas), Juliane Furno.

“O PJ, Pessoa Jurídica, geralmente é aquele trabalhador mais qualificado que tem salário mais alto e é pressionado pela empresa a se transformar em pessoa jurídica para que o empregador não tenha os encargos relativos aos salários”.

Na contratação pela CLT (Consolidações das Leis do Trabalho), um trabalhador com salário de R$ 4.000 por mês gera uma arrecadação anual de R$ 15.840, somando os descontos do empregado (11%) e o recolhimento da empresa (22%). Com o mesmo salário, de R$ 4.000, a arrecadação anual de um trabalhador “pejotizado” é de R$ 5.280, ou seja uma perda de 67% na arrecadação, caso fosse CLT.

Pelo regime de repartição solidária simples, são as contribuições dos trabalhadores da ativa, a contribuição das empresas e o aporte do governo que pagam as aposentadorias em vigor e os demais benefícios do INSS. É o chamado pacto de geração. A geração atual paga os benefícios da geração anterior, com a expectativa que as futuras gerações continuem o pacto.

As medidas do governo Bolsonaro e da reforma trabalhista que reduzem a massa salarial, ao liberar a livre negociação entre empresas e trabalhadores, ou a criação do trabalho intermitente sem garantia de salário mínimo, impactam na arrecadação da Previdência.

O estudo “Previdência x Providência”, dos pesquisadores José Roberto Afonso e Juliana Damasceno de Sousa, aponta uma forte evasão dos salários maiores do caldeirão de contribuições para o INSS.

De acordo com o estudo, em 1988, 47,5% das contribuições eram de trabalhadores com renda entre três e 10 salários mínimos. Os segurados que recebiam mais de dez salários mínimos, hoje algo em torno de R$ 9.500, representavam 31,5% da arrecadação da Previdência.

O estudo revela, porém, que em 2017, ano da crise do desemprego e retrocesso econômico, só 15,4% da arrecadação do INSS vinha de trabalhadores que ganhavam entre três e 10 salários mínimos. Na faixa salarial acima de 10 salários mínimos, o percentual caiu para 2,4%.

Por Juca Guimarães/Brasil de Fato