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STF forma maioria para liberar verbas da cultura bloqueadas pelo atual governo

STF forma maioria para liberar verbas da cultura bloqueadas pelo atual governo

08 de novembro de 2022

Ministros do STF começaram a votar nesta terça-feira (8/11) a suspensão da MP do governo Bolsonaro que permitia adiar os pagamentos para o setor cultural e de eventos das leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc 2.

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil O STF (Supremo Tribunal Federal) formou maioria com placar de seis a zero em favor da suspensão da MP (Medida Provisória) nº 1135/2022, do governo Jair Bolsonaro (PL), que bloqueou os recursos aprovados pelo Congresso Nacional, destinados à cultura, um dos setores mais afetados economicamente pela pandemia da Covid-19, em função do fechamento de teatros, casas de espetáculos, cinemas e bares com música ao vivo, entre outros estabelecimentos culturais e de lazer. A possibilidade da volta dos recursos de R$ 6,862 bilhões ao ano para a cultura, teve início há três dias quando a ministra do STF, Cármen Lúcia, relatora da ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) 7.232, ajuizada pela Rede Sustentabilidade, decidiu que a MP do governo é inconstitucional e impede “prática das ações emergenciais para o apoio ao setor cultural”. A ministra Cármen Lúcia também lembrou que, de acordo com o artigo 215 da Constituição, o Estado deve garantir o pleno exercício dos direitos culturais e o acesso às fontes da cultura nacional, além de apoiar e incentivar a valorização e a difusão das manifestações culturais. Trata-se, a seu ver, de um comando, e não de uma faculdade. Após a decisão de Carmén Lucia, a presidenta do STF, Rosa Weber, colocou em plenário virtual a votação dos demais ministros da Corte. A votação teve início a zero hora e deve terminar às 23h59 desta terça-feira (8). Votaram a favor da cultura, além de Cármen Lúcia, os ministros Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Roberto Barroso, Gilmar Mendes e Dias Tofoli. Como são 11 os ministros do STF, o placar de seis a zero formou maioria para a derrubada da MP. O que Bolsonaro tentou bloquear Jair Bolsonaro bloqueou os recursos aprovados pelo Congresso Nacional da Lei Paulo Gustavo que prevê o repasse de até R$ 3,862 bilhões para o setor cultural. A nome da lei é em homenagem ao ator e comediante que morreu no dia 30 de outubro do ano passado, aos 42 anos de idade, em decorrência da Covid-19. O pagamento de outros R$ 3 bilhões ao ano foram bloqueados da Lei Aldir Blanc 2, que autoriza destinação desse valor para os estados e municípios. O cantor e compositor também foi mais uma vítima fatal da doença, em 4 de maio de 2020, aos 73 anos de idade. As leis foram vetadas por Bolsonaro, mas o Congresso derrubou os vetos, mas o presidente editou a MP para alterar o conteúdo das leis, autorizando o governo federal a destinar os recursos, desde que respeitadas as disponibilidades orçamentárias e financeiras de cada exercício. Além disso, protelou os prazos para o repasse. Empregos gerados pelo setor cultural Os ataques de Jair Bolsonaro contra a cultura brasileira tiveram início logo no primeiro mandato do seu governo, quando extinguiu o Ministério da Cultura e criou apenas uma secretaria vinculada ao Ministério do Turismo, sem levar em consideração os milhões de empregos que o setor gera. Já o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), se comprometeu durante a sua campanha eleitoral a recriar o Ministério da Cultura. Antes da pandemia em 2019, o setor cultural gerava 5,5 milhões de empregos, o que representava 5,6% da população ocupada do país. No ano seguinte caiu para 4,8 milhões, segundo dados da PNAD (Pesquisa Nacional de Amostragem de Domicílios) Contínua, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Dados divulgados pelo IPEA no começo deste ano mostra que no segundo trimestre de 2021, o setor cultural brasileiro foi responsável por 5,7% do total de vínculos do mercado de trabalho, contra 94,3% de trabalhadores do setor não cultural. Outro dado divulgado em junho deste ano mostra que a cada R$ 1 investido no setor cultural paulista via programas de incentivo gerou, em média, R$ 1,67 para a economia do estado de São Paulo, de acordo com o “Estudo de Avaliação e Levantamento de Indicadores do Impacto Econômico e Social de Programas de Fomento Direto à Cultura e Economia Criativa”, encomendado pela Associação Paulista dos Amigos da Arte e realizada pela Fundação Getúlio Vargas. Por redação CUT Nacional, com edição de Rosely Rocha