Representantes dos empregados contestam nota sobre encerramento do GT Saúde Caixa
05 de agosto de 2021
Representantes dos empregados no GT Saúde Caixa discordam de nota divulgada pelo banco, que leva a entender que o fim dos trabalhos foi consensual. Não houve tempo para debater as propostas nem discutir a gestão do plano
A direção da Caixa Econômica Federal comunicou aos empregados que o GT (Grupo de Trabalho) Saúde Caixa, criado para discutir propostas de modelos de custeio e de gestão que garantissem a sustentabilidade do plano, foi encerrado na sexta-feira (30/07). A representação dos empregados discorda da maneira como o banco informou sobre o encerramento do grupo, que não foi consensual.
“A forma como a Caixa comunicou leva à interpretação de que todos concordamos com o fim dos trabalhos, e o que aconteceu foi o contrário. Pedimos prorrogação do prazo porque entendemos que deveríamos ampliar o debate e, em conjunto, levar boas propostas aos empregados. Não foi o que aconteceu. A Caixa recusou nosso pedido e deu fim ao grupo oferecendo uma proposta vergonhosa aos beneficiários”, destacou a coordenadora do GT e da CEE (Comissão Executiva dos Empregados), Fabiana Uehara Proscholdt, que também é secretária da Cultura da Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro). Ela também acrescenta que o GT não debateu a gestão do plano, que era um dos objetivos do grupo.
A proposta da Caixa aplicou o limitador de 50% para os custos do plano previstos na Resolução 23 da CGPAR (Comissão Interministerial de Governança Corporativa e de Administração de Participações Societárias da União). A medida, que não tem força de lei e não está prevista no ACT (Acordo Coletivo de Trabalho) 2020/2022, estabelece que a contribuição da empresa não pode exceder a dos empregados. Dessa forma, a gestão Pedro Guimarães tenta economizar sacrificando os empregados da ativa e aposentados, para os quais ela pretende transferir os custos, e assim abre espaço para reduzir as provisões do chamado “benefício pós-emprego”, acelerando a devolução do IHCD para o governo Bolsonaro.
Segundo a nota do banco, “o grupo cumpriu o compromisso com os mais de 280 mil beneficiários do Saúde Caixa em oferecer alternativas de custeio que garantam a sustentabilidade do plano de saúde em curto, médio e longo prazos”.
Leonardo Quadros, presidente da Apcef/SP e integrante do GT, rebateu a afirmação do banco. “Quando a Caixa diz que cumpriu o compromisso do GT, o que parece é que o objetivo do banco era impor aos empregados da ativa e aposentados um modelo de custeio que atendesse somente aos interesses da empresa, já que a proposta apresentada por ela é extremamente onerosa aos usuários do plano”, disse.?
Na avaliação da representação dos empregados, outro ponto que não ficou claro na nota divulgada pela Caixa refere-se ao assessoramento técnico, insinuando que foi fornecido pelo banco. “A Caixa não deixou claro que o assessoramento técnico que tivemos foi contratado por nós, porque discordamos das projeções realizadas pelo banco. As dificuldades de acesso aos dados, inclusive, atrasaram bastante os trabalhos. O relatório atuarial, por exemplo, que é um documento fundamental para as análises, deveria ter sido fornecido até novembro, e somente foi disponibilizado em março/abril”, lembrou Márcia Krambeck, representante?da Fenac (Federação Nacional das Associações de Aposentados e Pensionistas da Caixa Econômica Federal) no GT.
A proposta apresentada pela representação dos empregados mantém o modelo de custeio atual, com 70% dos custos financiados pela Caixa e 30% pelos empregados. As projeções da consultoria que assessora os representantes dos empregados não apontam a necessidade de reajustes, mesmo considerando a aplicação do teto previsto no Estatuto. Também preserva os princípios de solidariedade, mutualismo, pacto intergeracional e a autogestão por RH.
Fonte: Fenae