Geral

Ministra do Trabalho tem histórico de retrocessos

Ministra do Trabalho tem histórico de retrocessos

05 de janeiro de 2018

Renata Brasil, nova ministra do Trabalho do governo Temer, tem em seu histórico como parlamentar posicionamento a favor da terceirização e do impeachment de Dilma Rousseff, além de responder por ações trabalhistas por ex-empregados

A nova ministra do Trabalho e Emprego do governo Michel Temer (PMDB), a deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ), tem um histórico de ações contra a Classe Trabalhadora e uma série de condutas que a torna inabilitada para assumir o cargo.

Filha do ex-deputado Roberto Jefferson, pivô do “mensalão”, a nova ministra foi indicada a assumir a vaga deixada por Ronaldo Nogueira, que vai se dedicar à sua reeleição na Câmara, pelo pai, presidente nacional do PTB.

Entre lágrimas e pausas dramáticas, Jefferson disse que a nomeação de sua filha é um "resgate" à sua imagem após o mensalão. O dirigente do partido foi o pivô do escândalo político iniciado em 2005 e chegou a ser condenado e preso. "É o orgulho e uma emoção que me dá. É o resgate, sabe querida, é o resgate. Fico satisfeito", disse Jefferson de acordo com informações veiculadas pela imprensa.

Currículo

Cristiane encerra em 2018 seu primeiro mandato como deputada federal. Foi eleita em 2014 defendendo o legado do pai, que teria sido vítima de uma injustiça ao denunciar para a imprensa o mensalão.  

Em 2015, seu primeiro ano, Cristiane foi autora de uma PEC (Proposta de Emenda à Constitucional) que restringe a reeleição de presidente, governadores e prefeitos. Pelo texto, só seria permitida a candidatura "para um único período subsequente, sendo proibida, a reeleição por períodos descontínuos".

No mesmo ano, servidoras da Câmara protestaram contra a proposta da deputada de aprovar um código de vestimenta para banir minissaias e decotes mais ousados dos corredores e salões da Casa.

No ano seguinte, em abril de 2016, Cristiane era também presidente de seu partido, o PTB e um de seus últimos atos à frente da sigla foi justamente fechar a questão a favor do impeachment da então presidente Dilma Rousseff.

Na votação na Câmara, no dia 17 daquele mês, Cristiane usou o símbolo dos favoráveis à saída da ex-presidente, a camisa da seleção brasileira, para declarar seu voto. No discurso, lembrou a cassação do mandado do pai, 11 anos antes, e votou pelo afastamento de Dilma em "homenagem" ao pai.

Veja no vídeo o posicionamento da então deputada durante o impeachment:

Em 2017 Cristiane apoiou o governo de Michel Temer em questões decisivas, como a PEC do teto dos gastos públicos e a terceirização para todas as atividades. Votou também a favor da reforma trabalhista e contra a abertura de investigação de Temer, que poderia afastá-lo da presidência da República.

Também no ano passado, Cristiane foi contra Projeto de Lei 5069/2013, que cria uma série de dificuldades para mulheres vítimas de estupro serem submetidas legalmente a um aborto.

"Este projeto é um dos maiores retrocessos do Brasil para os direitos duramente conquistados pelas mulheres. Com sinceridade, vou fazer de tudo pra derrubá-lo no Plenário da Câmara", declarou à época da aprovação do projeto na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).

O projeto depende de aprovação em Plenário e não há data marcada para a votação.

Dívidas trabalhistas

Segundo divulgou o portal G1, a ministra do Trabalho Cristiane Brasil respondeu por duas ações trabalhistas por não respeitar direitos de ex-motoristas dela e familiares.

Na primeira, o a assessor Fernando Fernandes Dias ingressou na Justiça com reclamação por trabalhar das 6h30 às 22h00, com apenas uma hora de intervalo, sem ter a carteira assinada ou direito a férias, gratificações natalinas e nem mesmo Aviso Prévio.

A dívida de R$ 60 mil ainda não foi paga, por isso, Cristiane teve bens penhorados.

Em outra ação, de 2017, o também motorista da então parlamentar carioca, Leonardo Eugêncio de Almeida Moreira, também procurou a Justiça do Trabalho por não ter sido registrado e não receber direitos. Neste caso, a ministra de Temer resolver aceitar um acordo e pagar a dívida trabalhista de R$ 14 mil de forma parcelada, além de assinar a Carteira de Trabalho de Leonardo.

Clique aqui para saber mais.

Fonte: Rede Brasil Atual e G1