Geral

Centrais Sindicais defendem realização do ajuste fiscal em cima de grandes fortunas

Centrais Sindicais defendem realização do ajuste fiscal em cima de grandes fortunas

04 de fevereiro de 2015

Sem registro de avanços em relação a mudanças nos textos das MPs que alteram direitos dos trabalhadores, Centrais Sindicais vão organizar mobilização para mudar o foco do ajuste fiscal

Lideranças da CUT e das demais Centrais Sindicais do país decidiram levar para o Congresso Nacional a negociação sobre as MPs (Medidas Provisórias) 664 e 665, que restringem as regras para concessão de benefícios trabalhistas e previdenciários. Esta definição foi tirada ontem (3/02), em São Paulo, após reunião das entidades com representantes do Governo Federal.

Os sindicalistas só aceitaram debater e alterar as medidas porque o Governo se comprometeu a discutir a pauta da Classe Trabalhadora. Como as MPs precisam ser aprovadas pelo Congresso, os sindicalistas avaliaram que é preciso ganhar tempo e fazer a negociação entre as Centrais, Governo e parlamentares.

"Já que o Governo não quis revogar as MPs, inviabilizando a negociação bipartite (governo e Centrais Sindicais), mas se comprometeu a debater a nossa pauta, que inclui itens como alternativa ao Fator Previdenciário, redução de jornada para 40 horas sem redução de salário, redução dos juros e do superávit primário, o combate a terceirização e à rotatividade, decidimos discutir o conteúdo das medidas no âmbito do Congresso Nacional", disse o presidente da CUT, Vagner Freitas.

Para ele, no Congresso, além de negociar, o movimento sindical deve manter as nossas bases permanentemente mobilizadas para pressionar e fazer o enfrentamento. “O ajuste fiscal não pode e não vai ser feito em cima dos trabalhadores e trabalhadoras”, ressaltou o dirigente cutista, dizendo, ainda, que a ideia é criar uma frente parlamentar formada por deputados e senadores comprometidos com os direitos dos trabalhadores.

Segundo Vagner, apesar da negativa do Governo em retirar as medidas, houve pontos positivos na reunião entre os dirigentes sindicais e os ministros Miguel Rossetto, da Secretaria­ Geral da Presidência da República, Carlos Gabas, da Previdência Social, Nelson Barbosa, do Planejamento, e Manoel Dias, do Trabalho.

O presidente da CUT avalia como positivo o fato de o Governo acenar com a possibilidade de mexer nos textos das MPs, fazer uma negociação tripartite e reconhecer que precisa adotar medidas para combater, em especial, a alta rotatividade da mão de obra. "Os ministros entenderam que não vamos nos limitar, de maneira nenhuma, à agenda das MPs, com as quais não há acordo. Além dos itens da pauta da Classe Trabalhadora, que garantem direitos, queremos debater a taxação das grandes fortunas, a diminuição da sonegação fiscal, o aumento da alíquota de imposto de renda para quem ganha mais pagar mais e quem ganha menos pagar menos, o aumento da arrecadação do imposto territorial rural e sobre herança, entre outros itens".

Disposição para o diálogo

Rossetto reafirmou que o Governo "tem disposição real de negociação, para construir um espaço de diálogo para debater essa grande agenda de vocês". E, confirmando a disposição para o diálogo, o ministro adiantou que a CUT e as outras Centrais estão convidadas a debater o Plano Plurianual que vai pensar o Brasil para o período de 2016 a 2019 e será liderado por Barbosa.

Vagner Freitas destacou que os sindicalistas estão preparados para participar, sugerir, colaborar, pensar o desenvolvimento do Brasil, com justiça e inclusão social e nada diferente disso. Ele cobrou mais transparência do Governo, ao lembrar que na reunião anterior, em 19 de janeiro, enquanto as Centrais se reuniam com os mesmos representantes do Executivo, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, anunciava em Brasília medidas sobre tributos. No conjunto, todas até agora se mostram medidas restritivas que "levam à recessão e ao desemprego".

A discussão, diz o dirigente da CUT, devem ser em torno de propostas que aumentem a oferta de crédito e estimulem a atividade industrial, gerem emprego e melhorem a renda.

Por Marize Muniz de Souza/CUT