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Valor do salário mínimo em 2019 fica abaixo das estimativas

Valor do salário mínimo em 2019 fica abaixo das estimativas

02 de janeiro de 2019

Jair Bolsonaro (PSL) assinou no dia 1º/01 decreto que fixa em R$ 998,00 o salário mínimo em 2019, valor que fica abaixo dos R$ 1.006,00 estimados no Orçamento da União aprovado para este ano

Um dos primeiros atos após sua posse festiva, na terça-feira (1º/01), em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) assinou o decreto que estabelece em R$ 958 o salário mínimo a ser praticado em 2019.

Este valor representa um reajuste de 4,61% em relação aos R$ 954,00 pagos em 2018 e servirá de referência para calcular os rendimentos de aproximadamente 48 milhões de trabalhadores e trabalhadoras brasileiros.

A decisão da equipe econômica de Bolsonaro fez com que o salário mínimo ficasse abaixo projetado no Orçamento da União para 2019, que era de R$ 1.006,00, levando em conta a inflação do ano anterior, medica pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) e a variação do PIB (Produto Interno Bruto) nos dois últimos anos, conforme estabelecem as regras em vigor.

O novo presidente ainda não disse se vai manter a Política de Valorização do Salário Mínimo para 2020, deixada de lado por Michel Temer (MDB). Em 2018, o mínimo foi reajustado em 1,81%, abaixo da inflação e do próprio orçamento aprovado pelo Congresso.

Conquista da Classe Trabalhadora

A Lei 13.152, que implementou a Política de Valorização do Salário Mínimo, valeu até 2018. O texto determina que o piso seja reajustado com base no INPC do ano anterior, tendo o PIB de dois anos antes como parâmetro para aplicar um percentual de aumento real. Se o PIB não cresce, o mínimo fica sem ganho real.

Até novembro de 2018, por exemplo, o INPC estava acumulado em 3,29%. Já o PIB de 2017 cresceu 1%. Pela lei, isso resultaria em um reajuste de 4,32%, o que nesse caso levaria o mínimo a R$ 995,00.

O Dieese aponta esta regra como mecanismo importante para alguma redução da desigualdade e de dinamização das economias municipais. Esta Política foi implementada ainda no governo Lula após mobilização das Centrais Sindicais, que organizaram Marchas da Classe Trabalhadora até Brasília para pressionar o atendimento a esta reivindicação.

Em novembro, o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) calculou em R$ 3.959,98 o mínimo necessário para as despesas básicas de um trabalhador e sua família. O cálculo leva em conta a cesta básica mais cara entre as capitais pesquisadas pelo Dieese. A proporção foi de 4,15 vezes o mínimo nacional, acima tanto de outubro (3,97 vezes) como de novembro de 2017 (3,98). 

Fonte: Rede Brasil Atual