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Reajuste do salário mínimo fica abaixo da inflação de 2016

Reajuste do salário mínimo fica abaixo da inflação de 2016

02 de janeiro de 2017

Decreto do governo Michel Temer (PMDB), publicado na edição do Diário Oficial da União do dia 30/12, fixa em R$ 937,00 o valor do salário mínimo para 2017, com um índice de reajuste que fica abaixo da inflação estimada para 2016

Decreto do governo Michel Temer (PMDB), publicado na edição da última sexta-feira (30/12) do Diário Oficial da União, fixa em R$ 937,00 o valor do salário mínimo a partir de 1º de janeiro.

O reajuste é de 6,48% fica abaixo da inflação medida pelo INPC-IBGE, estimada pelo Ministério da Fazenda para 2016 em 6,74%.

O novo valor do piso nacional também está abaixo do aprovado pelo Congresso no Orçamento Geral da União para este ano, que foi de R$ 945,80 – isso representaria um reajuste de 7,48%. Nesse caso, o governo Temer argumentou que o INPC, usado como referência no cálculo, ficará abaixo do previsto inicialmente.

"Em virtude da inflação menor em 2016, o reajuste será menor do que o previsto na LOA (Lei Orçamentária Anual). Trata-se, portanto, de aplicação estrita da legislação", diz, em nota, o Ministério do Planejamento.

Nem tanto, considerando-se que o reajuste ficará abaixo do INPC de 2016 – o índice de dezembro será divulgado pelo IBGE em 11 de janeiro. De janeiro a novembro, a inflação está acumulada em 6,43%.

A lei a que o Planejamento se refere é a 13.152, de 29 de julho deste ano, ainda no governo Dilma Rousseff, que fixa uma política de valorização do salário mínimo de 2016 a 2019. A regra prevê aplicação do índice de inflação (INPC) do ano anterior mais, a título de aumento real, o Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. No caso de 2017, já se sabia que não haveria ganho real, porque houve queda no PIB de 2015 (-3,8%).

A questão é se haverá aumentos reais em 2018 e 2019, caso o PIB brasileiro cresça nesses anos, por causa da chamada PEC do teto, a proposta de emenda à Constituição aprovada em dezembro pelo Senado. Se o governo ultrapassar o limite de despesas, o salário mínimo não terá reajuste acima da inflação, acabando com uma política de valorização conquistada após mobilização das Centrais Sindicais, que a partir de 2004 fizeram uma série de marchas a Brasília.

De acordo com o Dieese, de 2003 a 2016, o mínimo foi reajuste em 340%, enquanto a inflação do período somou 148,34%, com um ganho de 77,18%.

Confirmada a restrição ao ganho real, seria mais uma iniciativa do governo contrária aos gastos sociais. Na mesma nota em que informa sobre o novo valor, o Planejamento afirma que o reajuste significa incremento de R$ 38,6 bilhões na massa salarial, ou 0,62% do PIB, o que terá, acrescenta, "efeitos positivos na retomada do consumo e do crescimento econômico ao longo do ano".

Um pesquisador da Fundação Getúlio Vargas, depois contestado pela FGV, chegou a fazer simulação e demonstrou que, caso as regras da PEC 55 valessem desde 1998 o salário mínimo atual seria de aproximadamente de R$ 400,00, ou seja, menos de metade do valor oficial.

O Dieese aponta o salário mínimo como um fator de ampliação do mercado e de redução da desigualdade. Em 1995, com um piso nacional era possível comprar 1,02 cesta básica. Neste ano, 2,14, em valores de janeiro. O instituto calcula que 48 milhões de pessoas têm rendimento referenciado no salário mínimo, inclusive aposentados e pessoal da ativa.

Fonte: CUT