Empresa ligada ao Itaú prepara a privatização do Banco do Brasil
01 de setembro de 2017
Pedro Moreira Salles, do Itaú Unibanco, faz parte do Conselho Administrativo da empresa Falconi Consultores de Resultado, contratada, sem licitação, para preparar o desmonte do Banco do Brasil
Não por mero acaso, a empresa Falconi Consultores de Resultado foi contratada, sem licitação, para preparar o desmonte do Banco do Brasil. A consultoria tem em seu Conselho Administrativo o banqueiro Pedro Moreira Salles, que é presidente do Conselho de Administração do Itaú Unibanco e presidente do Conselho Diretor da Febraban.
Ou seja: o maior banco privado do País está por trás do processo da privatização dos bancos públicos, conforme denúncia feita no último dia 25/08 pelo Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro.
"Colocaram a raposa no galinheiro dos ovos de ouro". O ditado popular explica com exatidão o que vem acontecendo dentro do Banco do Brasil, para atender interesses privados, mais precisamente, do Itaú. Em 2016 foi contratada, sem licitação, por "notório saber", a Falconi Consultores de Resultado para preparar o desmonte do BB, chamado oficialmente de "reestruturação".
O trabalho desta empresa é enxugar a estrutura do banco público, preparando-o para a privatização, política do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), retomada pelo seu aliado, Michel Temer (PMDB).
O absurdo é um banco privado estar conduzindo as políticas de um banco público, que tem um papel estratégico, o de fomentar o desenvolvimento econômico e social do país. No mínimo a situação configura um conflito de interesses, já que o desmonte da rede de agências, com extinção de milhares de postos de trabalho, abriu espaço para os bancos privados, entre eles, o próprio Itaú. A primeira fase da reestruturação resultou no fechamento de 402 agências, extinção de 9.400 postos de trabalho e redução salarial drástica que atingiu quase 4 mil funcionários.
O concorrente continua dentro do BB. A mesma consultoria está fazendo o mapeamento dentro da Diretoria de Tecnologia do banco, um setor altamente estratégico a cujas informações o setor privado está tendo acesso. Seguindo a linha de "mãos de tesoura" da Falconi, de corte dos custos, há o temor de extinção de funções, abrindo espaço para a substituição de funcionários concursados por trabalhadores precarizados de empresas terceirizadas.
Fonte: Rede Brasil Atual