Beto Richa deixa o governo com alta de 135,4% nas tarifas da Sanepar

Em 7,3 anos de gestão, Beto Richa esteve mais preocupado em arrecadar impostos para equilibrar o caixa o Estado ao mesmo tempo em que torrou muito dinheiro em propaganda Em 7,3 anos de gestão, Beto Richa esteve mais preocupado em arrecadar impostos para equilibrar o caixa o Estado ao mesmo tempo em que torrou muito dinheiro em propaganda
sexta-feira, 13/04/2018

Beto Richa (PSDB) deixou o cargo de governador do Paraná no último dia 5 de abril para concorrer a uma vaga de senador nas eleições deste ano.

O legado dos 7,3 anos de sua gestão é meia dúzia de obras de maior relevância para o Estado, diversas denúncias de corrupção envolvendo seu nome e de membros de sua equipe, o aumento de impostos, congelamento dos salários dos servidores, o massacre dos grevistas em 2015 e a elevação dos valores das tarifas de água e esgoto.

Durante seu mandato, a Sanepar aumentou em 135,4% as contas dos consumidores. Neste período, a inflação acumulada medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ficou em 53,8%.

A justificativa para a exorbitante elevação das tarifas da empresa foi o congelamento determinado durante o governo de Roberto Requião (PMDB). Segundo divulgou a Gazeta do Povo, a direção da Sanepar alegou que os sucessivos aumentos foram necessários para recompor a sua capacidade de investimentos, que teria sido deteriorada durante a gestão de Requião.

O que a empresa não disse e o jornal não questionou foi o enorme volume de recursos que a Sanepar gastou durante a gestão de Beto Richa em propaganda, posando como a joia de seu governo como uma das melhores empresas do setor de saneamento.

Aso mesmo tempo em que esfolou os consumidores paranaenses com tarifas escorchantes, a empresa distribuiu polpudos dividendos aos acionistas.

Palanque eleitoral

Mas não foi só o ex-governador quem usou a Sanepar para interesses próprios e trampolim político. O presidente da companhia, Mounir Chaowiche, também deixou o cargo na semana passada para concorrer a uma das vagas de deputado federal pelo Paraná.

Na sua gestão, foram muitas as cerimônias e encontros realizados em locais luxuosos com a presença de diversos funcionários do alto escalão, a um custo altíssimo, pago, é claro, pelos cofres da empresa.

Um desses eventos ocorreu no final de 2017, em Aracaju (SE). Mounir e mais de 60 funcionários foram para o litoral nordestino receber quatro prêmios relacionados a boas práticas na área do saneamento, ao custo de cerca de R$ 160 mil com despesas em um resort.

Segundo denúncias dos Sindicatos dos trabalhadores da Sanepar, o presidente da empresa vinha utilizando gerentes, coordenadores e demais gestores como cabos eleitorais desde que assumiu o cargo, há três anos.

Refrescando a memória

Para quem não se lembra, Mounir Chaowiche foi superintendente Regional da Caixa Econômica Federal em Londrina no final dos anos 90.

Naquela época, sua passagem pela Regional foi marcada por inúmeras denúncias da prática de assédio moral contra empregados e empregadas do banco, embora naqueles tempos as metas ainda não fossem tão exorbitantes quanto agora.

Quem trabalhou nesse período de terror na Caixa deve ter ainda na mente a imagem de um gestor com o chicote nas mãos, ferramenta que deixou marcas profundas.

Por isso, é preciso lembrar desses nomes na hora de ir às urnas em outubro para escolher os representantes do Paraná no Congresso Nacional, sem esquecer também daqueles que estão tentando a reeleição e que traíram a Classe Trabalhadora na votação da reforma trabalhista.

Por Armando Duarte Jr.

COMPARTILHE