LUTA PELA IGUALDADE

Mulheres Negras realizam encontro de formação no Sindicato de Londrina

Encontro dos Coletivos Black Divas e Black   Empreendedorismo, realizado domingo (3/04) no Auditório do Sindicato de Londrina, debateu o racismo estrutural no Brasil Encontro dos Coletivos Black Divas e Black Empreendedorismo, realizado domingo (3/04) no Auditório do Sindicato de Londrina, debateu o racismo estrutural no Brasil
terça-feira, 05/04/2022

Os Coletivos Black Divas e Black Empreendedorismo promoveram no domingo (3/04), no Auditório Joaquim Borges Pinto, do Sindicato de Londrina, o encontro de formação “Mulheres Negras e sua Participação em Todos os Espaços”.

O evento teve a presença da doutora em Ciência da Informação e docente do Departamento de Ciências da Informação da UEL (Universidade Estadual de Londrina), Ana Cristina de Albuquerque, da socióloga e ex-presidenta do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Londrina e integrante do conselho de Eventos da Alumni (Associação dos ex-alunos da UEL), Maria Eugênia de Almeida, da advogada e  ex-coordenadora da Comissão de Igualdade Racial e Minorias da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e membra do Coletivo Black Divas, Janaina V. S. A. Owoo, da primeira vereadora negra de Curitiba, feminista, historiadora e secretária da Mulher Trabalhadora e Direitos LGBTQIA+ da APP Sindicato/PR, Carol Dartora, e das vereadores de Londrina Lenir de Assis (PT) e Lu Oliveira (PL).

Durante o encontro as palestrantes falaram sobre suas experiências de vida de enfrentamento ao machismo e ao racismo estrutural brasileiro; sobre a construção histórica que leva as pessoas não negras a serem racistas e preconceituosas; comentaram a respeito das ferramentas sociais, econômicas e culturais utilizadas para a perpetuação dessa estrutura que busca manter os privilégios para os homens brancos, a manter a população não branca contida e não tentando levantar a cabeça e lutar para conquistar mais espaços os quais tem o direito de estar e ter.

“Como alternativas na busca por mudanças a esta realidade cruel imposta à população preta do Brasil, as palestrantes apontaram a organização, mobilização e unidade da comunidade preta para debater esse problema na sociedade. Elas também afirmaram que é necessário elaborar projetos que busquem trabalhar a valorização da identidade enquanto pessoa preta para impedir banalização do racismo estrutural no País, demonstrando com isso a riqueza da cultura de origem africana e as suas influências na sociedade brasileira”, relata o secretário de Formação do Sindicato de Londrina, Laurito Porto de Lira filho.

Para ele, é preciso dar visibilidade ao trabalho e a história das grandes personalidades pretas no Brasil e demonstrar que existe uma população de mais de 55% de brasileiros, mas que mesmo assim para a grande maioria das empresas permanece esquecida quanto à oferta de produtos e serviços.

“Ficou claro ao longo do evento que o racismo estrutural e o machismo no País são grandes entraves ao desenvolvimento do Brasil enquanto nação. Um país que exclui a maior parcela de seu povo por questões de discriminação, deixando sem acesso a espaços importantes para o desenvolvimento cultural, técnico-científico, econômico, social e acolhida com políticas públicas, não tem a menor chance de estar entre as melhores nações do mundo”, avalia.

Segundo Laurito, os baixos índices de desenvolvimento social e econômico, decorrentes da falta de distribuição de renda e da desigualdade social, impedem o País de ter uma posição de maior independência e destaque nas relações geopolíticas e negociações mais favoráveis de acordos comerciais internacionais. “O que as mulheres pretas querem é um Brasil realmente com respeito e igualdade de oportunidades para todas as pessoas. Só assim teremos condições de retomar o caminho do desenvolvimento e melhorar a qualidade de vida da população”, finaliza.

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