RESISTÊNCIA

Julho das Pretas: campanha busca fim da desigualdade de gênero e raça

Julho das Pretas: campanha busca fim da desigualdade de gênero e raça
quinta-feira, 01/07/2021

O mês de Julho vem sendo dedicado a ações de combate à desigualdade e ao preconceito contra a mulher negra por meio da campanha “Julho das Pretas”, criada em 2013 pelo Odara (Instituto da Mulher Negra), formado por organizações de mulheres da Bahia e do Nordeste brasileiro.

O objetivo é chamar a atenção para esse grave problema da sociedade e celebrar o dia 25 de Julho – Dia Internacional da Mulher Negra Afro Latina-americana e Caribenha.

Devido à pandemia do novo coronavírus (Covid-19), em 2020 as atividades da campanha foram totalmente virtuais e este ano a estratégia será a mesma, sem perder seu objetivo de abordar temas importantes e necessários para acabar com a desigualdade de gênero e raça, bem como denunciar os altos índices de violência contra a mulher no País. O tema deste ano é “Para o Brasil Genocida, Mulheres Negras apontam a Solução!” 

Segundo a secretária da Mulher Trabalhadora da CUT Paraná e secretária de Saúde do Sindicato de Londrina, Eunice Miyamoto, com a pandemia os problemas se agravaram por conta do aumento da violência doméstica, do desemprego e da miséria, já que em muitos lares a mulher é responsável pelo sustento da família.

“Este ano, a CUT Paraná estará participando novamente da campanha Julho das Pretas no sentido de lutar pela inclusão da mulher negra no mercado de trabalho com igualdade de oportunidades, de tratamento e remuneração”, explica Eunice, afirmando que essa é uma demanda antiga no setor financeiro, onde ainda é muito reduzido o número de bancárias afrodescendentes.

Esta preocupação com o racismo enraizado no País também é compartilhada pela empregada da Caixa Econômica Federal em Londrina, Carol Brito, assistente de varejo na agência da Avenida Inglaterra. Afrodescendente, Carol acredita que é preciso refletir sobre o número de mulheres negras com quem as pessoas convivem diariamente no trabalho, nas salas de aula da faculdade ou mesmo sobre quantas professoras pretas passaram por suas vidas.

“Eu faço este questionamento inspirada na feminista negra, mestre em Filosofia Política pela USP (Universidade de São Paulo), Djamila Taís Ribeiro dos Santos. Ela fala que é preciso acabar com o silêncio sobre essa situação, porque quando a gente questiona, gera incômodo e o incômodo gera mudança para que outras pretas possam desfrutar daquilo que a gente tem”, explica.

Assista no vídeo o depoimento da bancária Carol Brito sobre a discriminação contra a mulher negra:

Por Armando Duarte Jr.

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