20ª Conferência Nacional define a Minuta de Reivindicações da categoria

A delegação do Paraná presente na 20ª Conferência Nacional dos Bancários - Foto: Jailton Garcia/Contraf-CUT A delegação do Paraná presente na 20ª Conferência Nacional dos Bancários - Foto: Jailton Garcia/Contraf-CUT
segunda-feira, 11/06/2018

Delegados e delegadas de todo o País participaram da Conferência que aprovou o formato da Campanha 2018 

Com a participação de 627 delegados e delegadas, foi encerrada no domingo (10/06) a 20ª Conferência Nacional dos Bancários, com a aprovação da Minuta de Reivindicações a ser entregue aos bancos no dia 13, após a deliberação nas Assembleias em todo o País.

Clique aqui para ver a agenda das Assembleias nas bases do Vida Bancária. 

Na Campanha Nacional Unificada 2018, a categoria definiu como prioridades o aumento real para os salários e demais verbas, defesa da CCT (Convenção Coletiva de Trabalho) com todos os direitos para todos os trabalhadores e trabalhadoras do sistema financeiro; manutenção da mesa única de negociações entre bancos públicos e privados; e dos empregos, com a proibição das demissões em massa. E garantir que nenhum bancário receba PLR menor em 2018.

Reação contra o golpe

A pauta da Campanha Nacional Unificada 2018 será entregue à Fenaban na quarta-feira 13/06. O Comando Nacional dos Bancários levará à Fenaban um Pré-acordo para garantir a manutenção de todos os direitos da CCT e dos acordos específicos até a definição das negociações deste ano.

Esta será a primeira Campanha da categoria após o golpe, já que em 2016 os trabalhadores garantiram um acordo de dois anos contra a retirada de direitos autorizada pela reforma trabalhista do governo Michel Temer (MDB). Esse acordo é válido até 31 de agosto de 2018. 

Para se defenderem dessa lei em vigor desde 11 de novembro de 2017, os bancários e bancárias querem incluir cláusula determinando que contratos de trabalho intermitente, parcial, autônomo, terceirizado, só podem ocorrer se for acordado com o Comando Nacional dos Bancários. O mesmo em relação à contratação de Banco de Horas ou compensação que deverá ser feita via negociação coletiva.

Também será reivindicado que as homologações sejam realizadas nos Sindicatos como forma de defender que os bancários recebam tudo que lhes é devido em caso de demissão.

A pauta também vai procurar garantir que o acordo valha para o trabalhador hipersuficiente. De acordo com nova legislação trabalhista, empregados com nível superior e remuneração acima de duas vezes o teto de benefícios do INSS (que hoje corresponderia a R$ 11.291,00) negociariam direto com o patrão, correndo o risco de perder direitos como a PLR.

Bancos e a desigualdade

A categoria conta com 485.719 trabalhadores (de acordo com dados da Rais de dezembro de 2016), mas dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho, indicam que mais de 40 mil postos de trabalho foram extintos pelos bancos após Temer tomar o comando do País.

Isso em instituições que viram o lucro líquido crescer R$ 20,6 bilhões no primeiro trimestre de 2018, crescimento de 20,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Em 2017, esses cinco maiores (BB, Caixa, Itaú, Bradesco e Santander) lucraram R$ 77,4 bilhões, alta de 33,5% em 12 meses.

“Isso mostra a centralidade da Campanha Nacional dos Bancários para o País. Os bancos continuam lucrando como sempre, numa das piores crises já vividas pelo Brasil. Um setor que ganha tanto não pode colaborar com o empobrecimento da população brasileira, desempregando tantos trabalhadores, cobrando juros tão altos que inviabilizam o investimento no desenvolvimento nacional”, afirma a presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, uma das coordenadoras do Comando.

A dirigente lembra que entre 2016 e 2017, mais de 444 mil pessoas voltaram à condição de pobreza, com renda familiar per capita menor que US$ 5,5/dia, entre 2016 e 2017. Mais de 1,5 milhões de pessoas estão na condição de pobreza extrema, com renda familiar per capita inferior a US$ 1,9/dia. “Essa desigualdade é inadmissível”, avalia Juvandia

Trabalhadores e a sociedade

Diante do quadro de retrocesso, os trabalhadores e trabalhadora definiram como pontos centrais da Campanha Nacional Unificada 2018 a defesa dos bancos públicos (BB, Caixa, BNDES, BNB, Basa) e das demais estatais (como a Petrobras, Eletrobras e outras).

Foram aprovadas resoluções em defesa dessas instituições, a luta em defesa da democracia e das eleições 2018, pela liberdade de Lula que é preso político e seu direito de ser candidato, como pontos estratégicos para os trabalhadores. 

“Será nas urnas, por meio da democracia, que o povo trabalhador poderá alterar os rumos que estão levando o Brasil à ruína desde o golpe. Por isso, orientamos o voto em candidatos a presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais que se comprometam com a defesa dos bancos públicos, a revogação da reforma trabalhista, da PEC da Morte que congelou investimentos em saúde e educação por 20 anos, da terceirização ilimitada, da reforma da Previdência que acaba com o direito à aposentadoria”, ressalta a presidenta da Contraf-CUT.

“O movimento sindical bancário sempre esteve à frente da luta em defesa da democracia e de uma sociedade mais justa e igualitária. Este ano não será diferente. Estaremos junto com outras categorias de trabalhadores e com movimentos sociais em defesa deste País soberano que está sendo vendido e desmontado. Vamos para as ruas e para os locais de trabalho debater a importância do voto para devolver o Brasil aos brasileiros e ao desenvolvimento com crescimento e justiça social.”

Os delegados e delegadas aprovaram durante a Conferência, a participação no Dia Nacional de Luta, convocado pelas centrais sindicais para 10 de agosto. Será o Dia do Basta ao desemprego e ao desmonte do Brasil.

Representantes de órgãos de defesa do consumidor, dos trabalhadores eletricitários, petroleiros participaram da 20ª Conferência Nacional. “Vamos fazer parcerias, luta conjunta contra a retirada de direitos, contra as demissões. Os trabalhadores não podem ficar no isolamento”, afirma Juvandia Moreira. 

Contribuição Negocial

Também foi incluída na Minuta deste ano a ser negociada com os bancos a cobrança da Contribuição Negocial como cláusula da CCT para todos, como mecanismo de participação dos trabalhadores na sustentabilidade dos Sindicatos, federações, confederação e central sindical. 

“A luta e toda a estrutura das entidades sindicais precisam de recursos para serem mantidas. Desde os departamentos de comunicação, saúde, jurídico, até a organização e mobilização da base durante as campanhas, nada disso se faz sem recursos financeiros. Diante do fim de todas as outras formas de financiamento, com a lei trabalhista do pós-golpe, os delegados aprovaram a inclusão na pauta de reivindicações da categoria de cláusula prevendo a Contribuição Negocial. Uma única contribuição por um ano de lutas e conquistas”, ressalta Juvandia.

Fonte: Contraf-CUT

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