DIA INTERNACIONAL DA MULHER

‘Pela vida das Mulheres, Bolsonaro Nunca Mais’ é tema das manifestações de 8 de Março

Arte: Nalu Vaccarin/MGIORA Arte: Nalu Vaccarin/MGIORA
quinta-feira, 03/03/2022

Na próxima terça-feira (8/03), Dia Internacional das Mulheres, as brasileiras vão sair às ruas de centenas de cidades do País para pedir o fim da violência contra as mulheres, do machismo, racismo, a fome e, principalmente, por Bolsonaro Nunca Mais.

Em Londrina, o protesto ocorrerá a partir das 17h30, no Calçadão, com uma concentração e caminhada pelas ruas centrais da cidade. As atividades em Apucarana começarão às 8h, com uma Feira Empreendedora e atrações culturais na Praça Rui Barbosa, com encerramento às 18h quando haverá a Marcha das Mulheres.

Numa extensa pauta de reivindicações, as mulheres afirmam que vão priorizar a luta pela derrubada do presidente Jair Bolsonaro (PL) do poder porque essa é uma luta necessariamente feminista, anti-imperialista, anticapitalista, democrática, antirracista e antiLGBTQIA+fóbica.

É ainda uma luta em defesa da vida das mulheres, contra a fome, a carestia, a violência, o desemprego, pela saúde, pelos seus direitos sexuais, direitos reprodutivos e pela justiça reprodutiva, em defesa do SUS e dos serviços públicos gratuitos e de qualidade

Leia aqui o manifesto completo “Pela Vida das Mulheres, Bolsonaro Nunca Mais! Por um Brasil sem machismo, racismo e fome.

A secretária da Mulher Trabalhadora da CUT Nacional, Juneia Batista, ressalta que a luta das mulheres CUTistas além do Fora Bolsonaro é também pela eleição de Lula para a Presidência da República para garantir mais justiça social e direitos sociais e trabalhistas, e por mais mulheres na política.

“O manifesto foi construído num consenso com vários movimentos feministas, mas nós mulheres trabalhadoras da CUT temos ainda reivindicações políticas. Precisamos aumentar a representatividade das mulheres no Congresso Nacional, nas Assembleias Legislativas, mas que sejam eleitas não apenas pelo gênero”, afirma Juneia.

Apesar do eleitorado brasileiro ser em sua maioria composto por mulheres (52,5%), sua representatividade ainda é pequena no Congresso Nacional. Das 513 cadeiras na Câmara dos Deputados, apenas 77 são ocupadas por deputadas, o que corresponde a 15% do total. No Senado somente 12 mulheres foram eleitas para as 81 vagas, o que equivale a uma participação feminina de 14%.

“Queremos parlamentares que tenham compromisso de classe, que lutem pelo fim da fome, a favor de uma educação inclusiva e crítica para que, por meio da educação, mudemos o País”, ressalta Juneia Batista, avaliando que é preciso ter compromissos no combate à violência, ao empoderamento, salários iguais e garantia de equidade.

Segundo a dirigente, tem ainda uma série de bandeiras de luta das Mulheres CUTistas que serão levadas às ruas, entre elas:

- Importância do voto consciente para retirar Bolsonaro do poder

- Lula presidente

- Pelo fim dos processos de privatização das nossas estatais;

 - Pela revogação da reforma Trabalhista (este tema segundo Juneia é inegociável para as mulheres da CUT);

- Rever a lei das terceirizações;

­ - Pela revisão da reforma da Previdência;

- Pelo arquivamento da PEC 32, da reforma Administrativa

- Adoção e ratificação da convenção 190 da Organização Mundial do Trabalho sobre a violência no mundo do trabalho que sofrem, principalmente, as mulheres negras e pessoas com orientação sexual diferente dos chamados heterossexuais;

- Pelo fim do desmatamento da Amazônia.

A desigualdade entre homens e mulheres

Distribuição de renda

A partir de 2007, a política de valorização do salário mínimo, uma luta da CUT aprovada no governo Lula, promoveu efeitos especialmente positivos para as mulheres. Quem recebia até um salário mínimo, viu seus rendimentos subirem em 76,5%, de 2002 até 2016.

Para mais de 12 milhões de mulheres, notadamente as trabalhadoras domésticas, reduziu-se o fosso salarial que as separava dos homens.

O rendimento médio nominal entre as mulheres menos escolarizadas cresceu 183%, entre 2004 e 2014.

Para aquelas com maior escolaridade, foi de 94%.

Com o fim da política de valorização do salário mínimo, decisão do governo Bolsonaro, em 2019, as mulheres foram as mais afetadas. Atualmente, 37,4% das mulheres ocupadas recebem até 1 salário mínimo o que equivale a 13,526 milhões de mulheres.

Nível de desemprego das mulheres

Enquanto a taxa de desemprego foi de 9,0% para os homens no trimestre encerrado em dezembro de 2021, a das mulheres foi de 13,9%.

Por cor ou raça, a taxa de desemprego ficou abaixo da média nacional para os brancos, em 9,0%, muito aquém do resultado para os pretos (13,6%) e pardos (12,6%).

Os rendimentos das mulheres em comparação com os homens 81%; no caso das mulheres negras em comparação com os homens brancos é de 61,2%. Os dados são do terceiro trimestre de 2021.

Piora da qualidade de vida na pandemia

O estudo?“Sem Parar – O trabalho e a vida das mulheres na pandemia”, da Gênero e Número e da Sempreviva Organização Feminista, realizada entre abril e maio de 2020, apontou que 50% das mulheres?passaram a se responsabilizar pelo cuidado de alguém?na pandemia.

Entre as que cuidam de crianças, 72% afirmaram que aumentou a necessidade de monitoramento?dentro do domicílio. Essa responsabilização pelos cuidados da casa e dos membros da família?–?como crianças e idosos – ficou ainda mais presente na pandemia, o que dificulta a participação da mulher no mercado de trabalho”.

Feminicídio

Nos primeiros seis meses de 2021, quatro mulheres foram mortas por dia no Brasil por um atual ou ex-parceiro, totalizando 666 vítimas de feminicídio de janeiro a junho de 2021, de acordo com dados de um levantamento inédito do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Os casos de estupro em geral e de vulnerável, com vítimas mulheres, aumentaram 8,3% no país no primeiro semestre de 2021, em comparação ao mesmo período de 2020, quando houve subnotificação devido à pandemia.

A vulnerabilidade econômica e a violência

O desemprego das mulheres agrava vulnerabilidades, potencializa todos os tipos de violência, incluindo a sexual e a doméstica.? Superar as desigualdades de renda das mulheres e construir políticas de trabalho, emprego e renda com este fim é uma forma de lidar com?as?violências que elas sofrem.

Segundo a pesquisa do IBGE, a participação das mulheres sem filhos na força de trabalho é 35,2% maior em relação à participação daquelas com filhos. Ao contrário, os homens que têm filhos não enfrentam nenhuma?desvantagem, já para mulher com filhos, significa que não vai se dedicar totalmente ao trabalho. A maternidade é um dos principais motivos de discriminação sofrida por mulheres no mercado de trabalho

Por todos esses motivos, a secretária da Mulher Trabalhadora da CUT Nacional convoca as mulheres a participarem das manifestações com todos os cuidados como o uso de máscara, álcool gel e distanciamento social.

Por Rosely Rocha, com edição de Marize Muniz/CUT Nacional

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