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Ato unificado das Centrais em Brasília denuncia governo genocida

Mobilização em Brasília chamou a atenção dos deputados e senadores para a necessidade de aprovar o Auxílio Emergencial de R$ 600 - Foto: Kleber Freire Mobilização em Brasília chamou a atenção dos deputados e senadores para a necessidade de aprovar o Auxílio Emergencial de R$ 600 - Foto: Kleber Freire
quinta-feira, 27/05/2021

Expostas no gramado em frente ao Congresso Nacional, em Brasília, 600 cestas com alimentos cultivados e colhidos pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) e pela Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares), formaram o cenário de denúncia sobre a trágica situação pela qual passa o País, de milhões de brasileiros passando fome, de desemprego e de miséria. Tudo isso em consequência da política genocida do presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL), cujo negacionismo no enfrentamento à pandemia resultou na morte mais de 450 mil brasileiros por Covid-19, além da falta de políticas efetivas de geração de emprego, renda e distribuição da riqueza.

Estes foram os motivos principais do ato unificado da CUT, Força Sindical, UGT, CTB, Nova Central, CSB, Intersindical, Pública, CSP-Conlutas, CGTB, Contag, MST e das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, realizado em Brasília na quarta-feira (26/05). O ato antecedeu a entrega da Agenda Legislativa das Centrais Sindicais para a Classe Trabalhadora à presidência da Câmara dos Deputados e do Senado.

O presidente da CUT, Sérgio Nobre, reforçou que o ato – que foi simbólico, sem provocar qualquer espécie de aglomeração e seguiu todos os protocolos de distanciamento social e uso de equipamentos de segurança – teve o objetivo de chamar a atenção do povo brasileiro para a realidade do País.

“Queremos chamar a atenção para a questão da fome, da carestia. Famílias inteiras estão dormindo nas calçadas. Isso tinha acabado e não esperávamos que essa situação voltasse – pessoas, crianças, pedindo auxilio nos faróis e supermercados”, disse o dirigente.

A crítica situação econômica da maioria dos brasileiros muito se deve à redução do Auxílio Emergencial, que neste ano chega a apenas cerca de metade daqueles que receberam no ano passado, e com valores ínfimos de R$ 150 a R$ 375, contra os R$ 600 determinados pelo Congresso no ano passado, após pressão da CUT e demais centrais sindicais.

A maioria dos trabalhadores que ainda tem emprego, ganha até dois salários mínimos, ressaltou o presidente da CUT. A carestia – encarecimento de custo de vida – que tem como causa o aumento excessivo nos preços dos alimentos, do gás de cozinha, e de produtos essenciais para a sobrevivência penaliza milhões de brasileiros, acrescentou o presidente da CUT.

“A redução do Auxílio Emergencial é um crime porque o Brasil, oitava economia do planeta tem dinheiro, sim, para socorrer o povo brasileiro”, ressaltou Sérgio Nobre.
Ato solidário

O presidente da CUT ainda destacou que o objetivo da manifestação não foi provocar aglomerações. “Sabemos a realidade da pandemia. O número de mortos, mais de 450 mil, é uma tragédia e o responsável é Bolsonaro”, afirmou o dirigente no caminhão de som, estacionado na Esplanada dos Ministérios.

E esse foi o espírito do ato, que teve, no gramado, representantes de entidades dos movimentos sociais, de Sindicatos e de Centrais – todos distantes uns dos os outros e, em meio a eles, faixas, bandeiras e cartazes com as pautas “fora, Bolsonaro”, “vacina no braço, comida no prato”, “em defesa do SUS” e “Auxílio Emergencial de R$ 600”.

Doação de cestas de alimentos


Cestas básicas formaram o número "600" no gramado da Esplanada dos Ministérios - Foto: Jean Maciel/ BSB

As cestas com alimentos para doação aos mais vulneráveis foram colocadas formando o número “600”, para simbolizar a luta pelo Auxílio com valor mais digno.

Carrinhos de supermercado com o (muito) pouco que dá pra comprar com o valor do atual Auxílio (a maioria recebe parcelas de R$ 150) também fizeram parte da cena como forma de sensibilizar os parlamentares para que votem uma Medida Provisória que estabeleça, no mínimo, R$ 600 como Auxílio Emergencial até o fim da pandemia do novo coronavírus.

Ao todo, mais de três toneladas de alimentos, oriundos de assentamentos e da agricultura familiar foram doados à Centcoop (Cooperativa de Catadores de Reciclados do Distrito Federal).

Movimentos e centrais

O presidente da Contag, Aristides Veras dos Santos, após reforçar que é preciso a vacinação avançar no Brasil e a necessidade de que parlamentares aprovem projetos voltados à agricultura familiar e à reforma agrária, disse que o ato tem o objetivo da aprovação do Auxílio Emergencial de R$ 600.

“Esse é ato é por R$ 600, contra a fome, contra a miséria, contra a pobreza e para que o Congresso Nacional encaminhe pautas que interessam ao povo”, disse o presidente da Contag.

Além do MST e da Contag, participaram do ato também representantes da UNE (União Nacional dos Estudantes), Ubes (União Nacional dos Estudantes Secundaristas) e entidades representativas de trabalhadores do setor público e privado, como a CNE (Confederação Nacional dos Eletricitários), Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos) e a Contracs-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Comércio e Serviços).

Parlamentares também participaram. A presidente do PT, deputada Federal Gleisi Hoffmann, considerou fundamental a luta das centrais e movimentos sociais para que o povo brasileiro ‘saia da miséria’.

“Vamos mostrar que não concordamos com a destruição do Brasil e com a crise que o povo brasileiro passa. É fundamental lutarmos para que o povo saia da miséria, a fome não cresça e para defendermos a vida com a vacina”, disse Gleisi.

Assim como Sérgio Nobre, presidente da CUT, presidentes das centrais sindicais também defenderam a importância de denunciar à sociedade e mostrar ao parlamento o projeto de destruição do Brasil, capitaneado por Bolsonaro e que tem relegado o povo brasileiro à própria sorte.

Por Andre Accarini, com edição de Marize Muniz/CUT Nacional

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