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Governo prepara a destruição do FGTS

Governo prepara a destruição do FGTS
terça-feira, 17/05/2022

O atual governo está trabalhando pelo completo esvaziamento do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço). Na sexta-feira (13/05), o jornal Folha de S.Paulo revelou que o Ministério da Economia está elaborando três MPs (Medidas Provisórias), para reduzir a contribuição patronal ao trabalhador de 8% para 2% e a multa rescisória, de 40% para 20%.

A exposição de motivos das MPs diz que o governo visa “contribuir, não apenas para a redução no custo da contratação de trabalhadores, como também para a melhoria do cenário econômico, o que possibilitará o aumento de novos empregos e novas contratações”.

No entanto, para a funcionária da Caixa Econômica Federal e diretora executiva da Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), Eliana Brasil, “o governo olha apenas para as empresas e desconsidera o trabalhador. O FGTS é importante não apenas em caso de demissão, mas em situações como a compra da casa própria, e isso não pode ser desconsiderado”.

Função social

Além de ser um instrumento de proteção dos trabalhadores, o FGTS cumpre outras funções sociais. É com seus recursos que setores fundamentais da economia, como habitação popular e saneamento básico, são financiados, pois o setor privado não os considera lucrativos. Por essa razão, a iniciativa do governo desperta oposição até de setores empresariais, como o da construção civil, que prevê redução de seus empreendimentos.

Em pouco mais de 30 anos, os recursos do FGTS financiaram mais de 7 milhões de moradias e geraram ao menos 23 milhões de empregos por meio de seus financiamentos. O fundo soma hoje mais de R$ 500 bilhões, ativos fundamentais para o desenvolvimento da economia, que será duramente afetada pela proposta de redução da contribuição patronal ao fundo.

Desmonte do Estado

Para a presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, “o atual governo tem um amplo projeto para destruir todas as garantias trabalhistas”. Conforme explicou Juvandia, “a ideia de acabar com a importância do FGTS mostra o quanto o atual governo é irresponsável, pois para favorecer os grandes grupos, não se importa em destruir estruturas importantes do Estado brasileiro”.

A economia como um todo também sofreria com a mudança. “O FGTS é fundamental para políticas públicas de cunho social e, ao financiar grandes projetos do governo federal, dos estados e das cidades, por gerar muitos empregos. Essa medida, além de promover a concentração de renda, também geraria mais miséria e aumentaria a fila dos desempregados no Brasil”, concluiu Juvandia.

Fonte: Contraf-CUT

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