ABUSOS

Setor financeiro é o que mais recebe queixas de consumidores

Setor financeiro é o que mais recebe queixas de consumidores
quarta-feira, 11/05/2022

O portal consumidor.gov.br recebeu 513.283 reclamações nos quatro primeiros meses de 2022. As queixas subiram 10% em relação ao mesmo período de 2021 e se dirigem principalmente ao setor financeiro.

Bancos, instituições financeiras e administradoras de cartões receberam 137.666 reclamações de janeiro a abril. Isto é, quase 27% de todas as queixas registradas no consumidor.gov.br nos 4 primeiros meses deste ano.

Os cartões e o crédito consignado são os maiores alvos dos consumidores. Só os problemas com cartões de crédito, débito e de loja renderam 47.961 registros e os do crédito consignado, 26.789.

Em nota, a Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços) disse que esse volume de queixas reflete o aumento do uso dos cartões e do portal de reclamações do governo. Segundo a associação, “a plataforma registra apenas uma reclamação para mais de 230 mil transações com cartões”.

“A análise de dados relacionados a reclamações precisa considerar também que o uso do cartão e dos pagamentos digitais pelos brasileiros tem crescido a taxas superiores a 30%, tendo registrado mais de 30 bilhões de transações apenas em 2021– o equivalente a mais de 85 milhões de pagamentos por dia”, afirmou a Abecs.

Já a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) disse que implementou a autorregulação do crédito consignado em 2020 para coibir “más práticas” na oferta do produto. Desde então, 875 correspondentes bancários já foram advertidos ou tiveram atividades suspensas.

Reclamações contra o transporte aéreo

As queixas contra o setor aéreo subiram 83% no 1º quadrimestre de 2022, em relação ao mesmo período de 2021. Com isso, o transporte aéreo saiu do 5º para o 3º lugar do ranking de segmentos econômicos com o maior número de reclamações no consumidor.gov.br.

O portal registrou 54.937 queixas contra o setor aéreo nos 4 primeiros meses deste ano. Cerca de 25% dizem respeito a dificuldade ou ao atraso na devolução de valores e reembolso. Outros 10% são sobre cancelamentos de voos.

Com a alta das queixas, a Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor) pediu que os Procons verifiquem as denúncias contra as aéreas. Além disso, recomendou que essas empresas melhorem a comunicação com o consumidor e informem sobre mudanças regulatórias.

A AirHelp disse que o aumento das queixas reflete a retomada do setor e os efeitos da ômicron. A variante da covid-19 causou uma série de cancelamentos no início do ano, justamente no momento em que muitos passageiros aproveitavam as férias e o relaxamento das medidas de prevenção à covid-19 para voltar a viajar de avião.

O portal

O consumidor.gov.br é um portal da Secretaria Nacional do Consumidor que permite a interlocução entre consumidores e empresas, para a solução de conflitos de consumo pela internet. O portal busca mediar o conflito antes de o consumidor recorrer aos Procons e à Justiça.

Hoje, o índice médio de solução é de 77% e o tempo médio de resposta é de 7 dias no portal. A Senacon disse que o consumidor.gov.br é “eficiente na resolução de problemas entre empresas e consumidores”. Além disso, fornece informações que contribuem com as ações de monitoramento de mercado e defesa dos interesses dos consumidores.

Por Marina Barbosa e Bernardo Gonzaga/Poder 360

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