METAS NA PANDEMIA

Governo tenta empurrar responsabilidade de prova de vida do INSS para funcionários do BB

Governo tenta empurrar responsabilidade de prova de vida do INSS para funcionários do BB
sexta-feira, 11/06/2021

O Banco do Brasil enviou aos seus funcionários, nesta semana, um boletim interno sobre a realização da prova de vida dos beneficiários do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Para o coordenador da CEBB (Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil), João Fukunaka, a medida expõe os funcionários ao risco de contágio pelo novo coronavírus para cumprir uma responsabilidade que seria do governo e não do Banco do Brasil, numa tentativa de vender produtos e serviços para os beneficiários do INSS.

“É de extrema insensibilidade da direção do banco soltar esse tipo de orientação, cobrando vendas em um momento de pandemia. A responsabilidade pela realização da prova de vida é do governo, e não dos bancários”, disse.

O boletim enviado pelo banco aos seus funcionários explica todas as formas que estão disponíveis no banco para a realização da prova de vida e, ao final, diz: “ACELERA INSS: cada atendimento ao beneficiário do INSS é uma oportunidade de geração de negócios, fique por dentro da estratégia no artigo 1425 e aproveite para impulsionar o teu desempenho.”

“Ou seja, querem que os funcionários empurrem produtos e serviços para os beneficiários do INSS para cumprir metas. A maioria das vezes, estes produtos e serviços são totalmente desnecessários para quem os adquire. Mas, o banco quer vender cada vez mais e os funcionários são cobrados a realizar esse serviço sujo”, completou o coordenador da CEBB.

Para Fukunaga, o vice-presidente de Negócios de Varejo precisa focar sua atuação na gestão do negócio. “Ao invés de ficar criando metas, como se fosse um superintendente, ele deveria fazer a gestão do negócio. Ele pulou etapas por ter feito campanha eleitoral para o atual governo. Mas, continua fazendo o papel de superintendente. Ao ficar cobrando esse tipo de meta, acaba adoecendo constantemente os funcionários. Gerar aumento do adoecimento não é fazer boa gestão”, concluiu.

Fonte: Contraf-CUT

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